Esquizofrenia no Adulto: Manejo Ambulatorial

Avaliação Inicial

A avaliação inicial deve incluir:

  • Avaliação clínica

    • caracterização dos sintomas psicóticos

    • gravidade dos sintomas

    • avaliação do risco suicida

    • risco de heteroagressividade

  • História psiquiátrica

    • número de episódios psicóticos prévios

    • internações psiquiátricas

    • resposta a tratamentos anteriores

  • Avaliação de comorbidades

    • uso de substâncias

    • depressão

    • ansiedade

    • síndrome metabólica

  • Exames complementares (quando indicados)

    • hemograma

    • glicemia de jejum

    • perfil lipídico

    • função hepática

    • função renal

    • TSH

    • ECG (antes de alguns antipsicóticos, como haloperidol endovenoso ou em dose alta, ziprasidona e pimozida)

Tratamento

  • O tratamento ambulatorial deve combinar:

    • Farmacoterapia: antipsicóticos são o tratamento de primeira linha.

    • Intervenções psicossociais.

    • Acompanhamento longitudinal.

  • Antipsicóticos de segunda geração (preferíveis)

    • Risperidona comp. 1mg ou 2mg ou 3mg

      • Dose inicial: 1mg/dia

      • Ajustar progressivamente até 2–6mg/dia

      • Administrar 1 a 2 vezes ao dia (máx. 8mg/dia).

    • Olanzapina comp. 5mg ou 10mg

      • Iniciar 5–10mg à noite

      • Dose usual: 10–20mg/dia (máx. 20mg/dia).

    • Quetiapina comp. 25mg ou 100mg ou 200mg

      • Iniciar 50mg/dia

      • Ajustar gradualmente até 300–600mg/dia

      • Administrar 2 vezes ao dia (máx. 800mg/dia).

    • Aripiprazol comp. 10mg ou 15mg

      • Iniciar 10–15mg/dia

      • Dose usual: 10–30mg/dia (máx. 30mg/dia).

  • Antipsicóticos de primeira geração

    • Podem ser utilizados quando:

      • boa resposta prévia

      • restrição de acesso a antipsicóticos atípicos.

    • Haloperidol comp. 1mg ou 5mg

      • Iniciar 1–2mg/dia

      • Ajustar até 5–10mg/dia (máx. 20mg/dia).

  • Antipsicóticos de longa duração

    • Indicados principalmente quando:

      • baixa adesão ao tratamento

      • recaídas frequentes

      • dificuldade de seguimento ambulatorial.

    • Haloperidol decanoato sol. inj. 50mg/mL

      • Aplicar 50–200mg IM a cada 4 semanas.

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Manejo de Efeitos Adversos

  • Sintomas extrapiramidais

    • Biperideno comp. 2mg

      • Tomar 1 cp 1–2x/dia (máx. 16mg/dia).

  • Acatisia

    • Propranolol comp. 10mg ou 40mg

      • Tomar 10–40mg 2x/dia (máx. 320mg/dia).

  • Síndrome metabólica

    • Monitorar regularmente:

      • peso

      • IMC

      • circunferência abdominal

      • glicemia

      • perfil lipídico.

Intervenções Psicossociais

  • As intervenções psicossociais devem sempre fazer parte de tratamento, juntamente com o tratamento farmacológico.

  • Principais estratégias:

    • psicoeducação para paciente e familiares

    • terapia cognitivo-comportamental

    • reabilitação psicossocial

    • treinamento de habilidades sociais

    • suporte ocupacional

Seguimento Ambulatorial

  • Frequência das consultas

    • fase aguda: semanal ou quinzenal

    • estabilização: mensal

    • manutenção: a cada 3 meses

  • Avaliação em cada consulta

    • adesão ao tratamento

    • efeitos adversos

    • sintomas psicóticos

    • funcionamento social

Critérios de Internação

  • Considerar internação quando houver:

    • risco de suicídio

    • risco de agressividade

    • incapacidade de autocuidado

    • desorganização grave do comportamento

    • falha do manejo ambulatorial

Prognóstico

  • Curso clínico variável:

    • 20–30% apresentam boa recuperação funcional

    • 30–40% apresentam evolução com recaídas

    • 20–30% apresentam curso crônico incapacitante

  • Prognóstico melhor quando:

    • início tardio

    • boa adesão ao tratamento

    • suporte familiar adequado

Referências

[1] AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. Washington, DC: APA, 2022.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Esquizofrenia. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.

[3] KANE, J. M. et al. Clinical guidance on the identification and management of treatment-resistant schizophrenia. Journal of Clinical Psychiatry, v. 80, n. 2, 2019.

[4] NICE. National Institute for Health and Care Excellence. Psychosis and schizophrenia in adults: prevention and management. London: NICE, 2014.

[5] WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines for the management of physical health conditions in adults with severe mental disorders. Geneva: WHO, 2018.

Autoria e Curadoria

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