Hérnias de Disco Lombares

CID 10: M545 - Dor lombar baixa

CID 10: M51 - Outros transtornos de discos intervertebrais

Introdução

  • A dor lombar afeta 80% da população com pelo menos dois episódios durante a vida.

  • A associação da dor lombar com irradiação ciática (lombociatalgia) eleva a probabilidade diagnóstica de hérnia de disco.

  • A lombociatalgia configura uma das causas mais prevalentes de afastamento laboral em pacientes com menos de 45 anos.

  • Cerca de 30% dos pacientes com menos de 45 anos apresentam hérnias discais diagnosticáveis via ressonância magnética.

  • O manejo ágil e otimizado depende fundamentalmente do rastreio e identificação de sinais de alerta (red flags).

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Diagnóstico

  • Definição Patológica: Extrusão do núcleo pulposo discal para as regiões anatômicas adjacentes.

  • Padrão Diagnóstico: Eminentemente clínico-radiológico, exigindo correlação entre os achados do exame físico e as imagens da ressonância magnética.

Avaliação Clínica

  • Graduação Motora

    • O grau de perda motora dita a indicação de intervenção cirúrgica precoce. Pacientes com força inferior ao Grau 4 possuem indicação formal de cirurgia.

    • Grau 5: Força motora preservada e normal.

    • Grau 4: Vence a resistência imposta de forma parcial, porém não exibe padrão de normalidade.

    • Grau 3: Vence a força da gravidade (elevação do membro viável), mas sucumbe à resistência externa.

    • Grau 2: Incapacidade de vencer a gravidade; apresenta apenas contração muscular parcialmente efetiva.

    • Grau 1: Contração muscular visível ou tátil (palpável), sem deflagração de movimento articular.

    • Grau 0: Plegia total; ausência absoluta de motricidade.

  • Escore de Risco e Sinais de Alerta (Red Flags)

    • Fatores de Risco: Predisposição genética, tabagismo e prática de atividades que demandem estresse biomecânico rotacional do eixo espinhal.

    • Sinais de Alerta (Red Flags):

      • Extremos de idade.

      • Quadro álgico refratário com duração superior a 6 semanas.

      • Presença de déficit neurológico motor.

      • Retenção urinária.

      • Anestesia ou hipoestesia na região perineal (anestesia em sela).

Classificação

  • Classificação das Hérnias de Disco:

    • Classificação Evolutiva / Morfológica (Baseada no volume herniado e na integridade contínua da fissura discal):

      • Abaulamento discal.

      • Hérnia de disco protrusa.

      • Hérnia de disco extrusa.

      • Sequestro discal (fragmento livre).

    • Classificação Topográfica (Plano Axial):

      • Centrais.

      • Centrolaterais.

      • Foraminais.

      • Extraforaminais.

Fluxograma de Manejo

Descrição do fluxograma: O manejo da dor lombar baixa inicia-se pela investigação da dor ciática associada, sendo que, na ausência desta, institui-se tratamento conservador composto por fisioterapia, hidroterapia, acupuntura, farmacoterapia e infiltração; caso haja melhora sintomática, o paciente é encaminhado para exercícios de manutenção, enquanto a persistência dos sintomas demanda investigação por exames de imagem. Havendo dor ciática (lombociatalgia), deve-se atentar para sinais de alerta em extremos de idade para investigação diagnóstica por meio de radiografia e ressonância magnética, visando identificar se há hérnia de disco compatível com a sintomatologia clínica. Na ausência de correlação entre o exame e os sintomas, o tratamento é direcionado conforme o achado específico; contudo, na presença de hérnia confirmada, avalia-se a existência de condições emergenciais como déficit neurológico progressivo ou síndrome da cauda equina. Tais emergências indicam a consideração imediata de tratamento cirúrgico; na falta destas, opta-se inicialmente pelo tratamento conservador, sendo a intervenção cirúrgica ponderada apenas diante da falha terapêutica e ausência de melhora dos sintomas após o período de manejo clínico.Fonte: Al Qaraghli MI, De Jesus O. Hérnia de Disco Lombar. [Atualizado em 23 de agosto de 2023]. Em: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; janeiro de 2026.

Tratamento

  • Considerações sobre o manejo em Pronto-Socorro:

    • Uso Racional de Imagem: Não recomendado solicitar ressonância magnética, tomografia ou radiografias em caráter de urgência para lombociatalgia sem red flags ou déficit motor leve (força muscular Grau 4 ou 5).

    • Quando indicar Imagem Rápida? Radiografias e RM devem ser solicitadas de forma ágil perante o preenchimento de critérios de sinais de alerta (red flags).

      • Sinais de Alerta (Red Flags):

        • Extremos de idade.

        • Quadro álgico refratário com duração superior a 6 semanas.

        • Presença de déficit neurológico motor.

        • Retenção urinária.

        • Anestesia ou hipoestesia na região perineal (anestesia em sela).

  • Quando considerar manejo cirúrgico e internação?

    • Critérios de Internação Imediata:

      • Déficit motor menor que Grau 4 e/ou suspeita clínica de Síndrome da Cauda Equina (parestesia em sela, alterações de esfíncter, retenção urinária).

    • Síndrome da Cauda Equina:

      • Constitui a única indicação de emergência cirúrgica real nas hérnias lombares; a intervenção descompressiva deve ser executada num intervalo máximo de 24 horas após a deflagração dos sintomas.

    • Fluxo de Acionamento:

      • Nesses cenários de gravidade neurológica, deve-se realizar RM em caráter de urgência e acionar imediatamente a equipe cirúrgica de coluna para evitar o estabelecimento de lesões definitivas.

    • Técnica Cirúrgica:

      • A descompressão simples é a modalidade cirúrgica de eleição.

  • Quando considerar manejo conservador e ambulatorial?

    • Indicação: Pacientes com quadro agudo (duração menor que 6 semanas) e ausência de perda motora significativa (força muscular Grau 4 ou 5).

    • Conduta: Terapia conservadora mandatória por um período mínimo de 6 semanas, postergando a solicitação de exames de imagem avançados.

      • Fisioterapia: Recomenda-se aguardar pelo menos 3 semanas do início dos sintomas para iniciar a fisioterapia, visto que a resolução precoce é comum.

      • Componentes: Educação do paciente, repouso relativo de curta duração e manutenção de atividades físicas conforme tolerância.

    • Farmacoterapia Escalonada:

      • Primeira Linha: Uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em doses moderadas.

      • Segunda Linha: Analgésicos opioides para dor refratária aos AINEs, prescritos pela menor duração possível devido ao perfil de riscos e dependência.

    • Educação do Paciente: A equipe deve informar ativamente sobre a evolução benigna da vasta maioria dos quadros, mitigando internações, procedimentos e exames desnecessários. Orientar sobre sinais e sintomas de alarme.

    • Evolução Esperada: Cerca de 85% a 90% dos casos apresentam resolução espontânea dos sintomas em um período de 6 a 12 semanas.

  • Manejo da Dor:

    • Ir para o tema Manejo da Dor no Adulto.

    • Primeira Linha: Uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em doses moderadas.

    • Segunda Linha: Analgésicos opioides para dor refratária aos AINEs, prescritos pela menor duração possível devido ao perfil de riscos e dependência.

Referências

  • Al Qaraghli MI, De Jesus O. Hérnia de Disco Lombar. [Atualizado em 23 de agosto de 2023]. Em: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; janeiro de 2026. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560878/

  • Guia do Episódio de Cuidado. Hérnias de Disco Lombares. Hospital Albert Einstein, 06/06/2023.

  • Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica. Hérnia de Disco Lombar: Tratamento, 31 de julho de 2013.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.