Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEi)

CID 10: I64 - Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou isquêmico

Introdução

  • O acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico é a interrupção aguda do fluxo sanguíneo cerebral por oclusão arterial, levando a isquemia e, se não revertida, a infarto do tecido encefálico. [1]

    • Nos Estados Unidos, mais de 600.000 indivíduos têm um primeiro AVE isquêmico a cada ano e aproximadamente 200.000 apresentam um AVE recorrente;

    • Mais de 9 milhões de americanos com 20 anos ou mais referem já ter tido um AVE, com prevalência global estimada em 3,3%.

    • Projeta-se que, até 2030, 3,4 milhões adicionais de adultos americanos (3,9% da população adulta) terão tido um AVE, um aumento superior a 20% em relação a 2012.

  • O AVE ocorre em taxas desproporcionalmente mais altas em indivíduos com condições socioeconômicas desfavoráveis ou determinantes sociais de saúde adversos, incluindo instabilidade econômica, menor escolaridade e residência em áreas do chamado "Stroke Belt" dos Estados Unidos.

    • O AVE isquêmico corresponde a mais de 80% de todos os AVEs nos Estados Unidos e a mais de 60% de todos os AVEs globalmente.

    • O AVE é também uma causa líder de morte e incapacidade: quase metade dos indivíduos que sobrevivem a um AVE permanece, após 6 meses, dependente em pelo menos 1 atividade de vida diária [1].

Siglas Comumente Usadas ao Longo do Conteúdo: a tabela reúne nove siglas de uso frequente no manejo do AVC isquêmico agudo e seus significados. DAPT corresponde à dupla antiagregação plaquetária. EVT corresponde à trombectomia mecânica, também chamada de terapia endovascular. HBO corresponde ao oxigênio hiperbárico. IVT corresponde à trombólise intravenosa. LKN corresponde ao último momento em que o paciente foi visto normal (do inglês Last Known Normal). LVO corresponde à oclusão de grande vaso. mTICI, também referida como TICI, corresponde ao grau de reperfusão angiográfica alcançado após a trombectomia (EVT). NBO corresponde à hiperóxia normobárica. E SAPT corresponde à antiagregação simples.

Fonte: 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

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Avaliação inicial na emergência

Escala de gravidade

  • O uso de uma escala padronizada de gravidade do AVE, preferencialmente a NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale), é recomendado para medir o déficit neurológico basal e após terapias de reperfusão [1].

    • A gravidade basal pela NIHSS é um dos preditores mais fortes de mortalidade e de independência funcional em 30 dias e 3 meses [1].

    • A NIHSS na admissão e a variação da NIHSS (ΔNIHSS) em 24 horas são preditores independentes de bom desfecho funcional em 3 meses em pacientes com hemorragia intracraniana sintomática (HICs) pós-trombólise [1].

    • Acesse o módulo de “Calcs e Escores” da plataforma para acessar o NIHSS

Neuroimagem inicial, vascular e multimodal

  • Diante de suspeita de AVE isquêmico agudo, é recomendada neuroimagem cerebral emergencial com tomografia computadorizada sem contraste (TCSC) ou ressonância magnética (RM) na avaliação inicial, para estimar a carga isquêmica (por exemplo, pelo escore ASPECTS) e excluir hemorragia intracraniana antes de iniciar intervenções de reperfusão [1].

    • Em sistemas hospitalares que atendem pacientes com suspeita de AVE isquêmico agudo, protocolos baseados em melhoria de processos devem ser estabelecidos para que a imagem emergencial seja realizada o mais rapidamente possível (idealmente em até 25 minutos) e viabilize intervenções de reperfusão em tempo hábil [1].

    • Em pacientes com suspeita de AVE isquêmico agudo e oclusão de grande vaso (LVO), é recomendado que a imagem vascular com contraste (angiotomografia [angio-TC] e/ou perfusão por TC [CTP]) não seja postergada à espera da creatinina sérica [1].

ASPECTS (Alberta Stroke Program Early CT Score): o material ilustra o sistema de pontuação topográfico usado para quantificar a extensão de alterações isquêmicas precoces em exames de tomografia computadorizada de crânio, dividido em territórios da artéria cerebral média (anteriores) e territórios da circulação posterior. Nos territórios anteriores da ACM, avaliados em dois cortes axiais, o nível dos núcleos da base inclui sete estruturas, cada uma valendo 1 ponto: núcleo caudado, putame, cápsula interna, córtex insular, córtex ACM anterior (opérculo frontal), córtex ACM lateral (lateral à fita insular, no lobo temporal anterior) e córtex ACM posterior (lobo temporal posterior); o nível da coroa radiada, em corte mais superior, acrescenta três territórios corticais, também de 1 ponto cada: território ACM ântero-superior (imediatamente superior ao segmento M1), território ACM látero-superior (imediatamente superior ao segmento M2) e território ACM póstero-superior (imediatamente superior ao segmento M3). Nos territórios da circulação posterior, avaliados em três cortes distintos, o nível dos tálamos considera tálamo e lobo occipital, cada um valendo 1 ponto por hemisfério; o nível do mesencéfalo atribui 2 pontos a qualquer alteração isquêmica identificada nessa estrutura; e o nível da ponte atribui 2 pontos a alterações na própria ponte e 1 ponto a cada hemisfério cerebelar acometido. Em todos os casos, a pontuação ASPECTS começa em 10 (tomografia normal) e subtrai-se 1 ou 2 pontos, conforme indicado, para cada território que apresente sinais precoces de isquemia, de modo que escores mais baixos refletem áreas de lesão mais extensas. CT indica tomografia computadorizada; e MCA, artéria cerebral média.

Fonte: adaptação de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026 (Figura 2).

Critérios de Imagem Utilizados nos Estudos de Trombólise em Janela Estendida: a tabela reúne os critérios de neuroimagem usados para seleção de pacientes em sete estudos de trombólise intravenosa em janela estendida no AVC isquêmico agudo. No WAKE-UP, o critério é a discordância (mismatch) DWI/FLAIR, definida pela presença de sinal anormal na sequência ponderada em difusão (DWI) sem alteração de sinal visível na sequência FLAIR na região do AVC agudo. No THAWS, o critério é semelhante, mas exige ausência de alteração de sinal marcada, e não apenas visível, na FLAIR. No EPITHET, o critério é a discordância PWI/DWI, com razão de volume entre a imagem ponderada em perfusão (PWI) e a DWI maior que 1,2 e diferença de volume PWI menos DWI de pelo menos 10 mL, sendo o volume de PWI definido como Tmax maior que 2 segundos. No ECASS-4, o critério é semelhante, com razão de volume PWI/DWI de pelo menos 1,2 e volume de PWI de pelo menos 20 mL. No EXTEND, o critério é a discordância por perfusão por tomografia computadorizada (CTP) ou por DWI/PWI, definida por razão entre o volume de penumbra isquêmica e o núcleo maior que 1,2, diferença entre penumbra e núcleo maior que 10 mL, e volume de núcleo menor que 70 mL, sendo o núcleo definido como menos de 30% das regiões normais na CTP ou no volume de DWI, e a penumbra definida como Tmax maior que 6 segundos na CTP ou na PWI. No TIMELESS, o critério é semelhante, mas com razão entre penumbra e núcleo maior que 1,8 e volume de penumbra maior que 15 mL, utilizando o pós-processamento automatizado RAPID para o cálculo do Tmax na CTP ou PWI. No TRACE-III, os mesmos parâmetros de razão e volume do TIMELESS são usados, mas o cálculo do Tmax é feito com o software iStroke. O rodapé esclarece as siglas: CTP (perfusão por tomografia computadorizada), DWI (imagem ponderada em difusão), FLAIR (recuperação de inversão com atenuação de fluido) e PWI (imagem ponderada em perfusão).

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

Suporte geral precoce

Via aérea, ventilação e oxigenação

  • Em pacientes com AVE agudo e rebaixamento do nível de consciência ou disfunção bulbar, suporte de via aérea e assistência ventilatória são recomendados conforme necessário para manter via aérea pérvia, protegida e ventilação/oxigenação adequadas [1].

  • Em pacientes com AVE isquêmico agudo (AVEi) e hipoxemia, oxigênio suplementar deve ser fornecido para manter saturação de oxigênio (SpO₂) > 94% [1].

  • Situações específicas:

    • Em pacientes com AVEi dentro de 6 horas do início, NIHSS 10 a 20, ASPECTS ≥ 6 e LVO de circulação anterior (M1 ou terminação carotídea) com trombectomia planejada, hiperóxia normobárica (NBO) administrada antes da EVT, com ou sem trombólise prévia, pode ser razoável para melhorar o desfecho funcional em 90 dias [1].

    • Em pacientes com AVEi por embolia gasosa arterial, oxigênio hiperbárico (HBO) pode ser razoável para melhorar o desfecho clínico [1].

    • Em pacientes com AVEi sem hipoxemia e não elegíveis para EVT, oxigênio suplementar não é recomendado para melhorar o desfecho funcional [1].

    • Em pacientes com AVEi não associado a embolia gasosa, HBO não é recomendado para melhorar o desfecho funcional [1].

Posicionamento da cabeça

  • Não há benefício do posicionamento rotineiro a 0 grau em comparação com 30 graus por 24 horas para melhorar o desfecho funcional; o posicionamento a 0 grau não é recomendado de forma rotineira [1].

  • Em pacientes com AVEi por provável causa aterosclerótica de grande artéria, para os quais não há intervenção de reperfusão disponível, não há benefício do posicionamento rotineiro em Trendelenburg (-20 graus) comparado ao posicionamento de 0 a 30 graus para melhorar o desfecho funcional; não é recomendado de forma rotineira [1].

Manejo da pressão arterial (PA)

  • Nos casos sem terapia de reperfusão

    • Hipotensão e hipovolemia devem ser corrigidas para manter níveis de perfusão sistêmica necessários à função orgânica [1].

    • O tratamento precoce de hipertensão é indicado quando requerido por condições comórbidas para reduzir o risco de complicações.

      • Por exemplo: síndrome coronariana aguda concomitante, insuficiência cardíaca aguda, dissecção aórtica, hemorragia intracraniana sintomática pós-trombólise, ou pré-eclâmpsia/eclâmpsia) [1]

    • Em pacientes que não receberam IVT (trombólise) nem EVT (trombectomia) e não têm comorbidade exigindo tratamento anti-hipertensivo urgente:

      • Com PA ≥ 220/120 mmHg: o benefício de iniciar ou reiniciar tratamento da hipertensão nas primeiras 48 a 72 horas é incerto [1].

      • Com PA < 220/120 mmHg: iniciar ou reiniciar tratamento da hipertensão nas primeiras 48 a 72 horas após o AVEi não é eficaz para prevenir morte ou dependência e não é recomendado [1].

  • Antes da terapia de reperfusão

    • Pacientes com AVEi e PA elevada que sejam elegíveis para IVT (trombólise) devem ter:

      • PA sistólica (PAS) reduzida para < 185 mmHg e

      • PA diastólica (PAD) para < 110 mmHg

      • Obs: Antes do início da trombólise, para reduzir complicações hemorrágicas [1].

    • Em pacientes para os quais a EVT está planejada e que não receberam IVT, é razoável manter PA ≤ 185/110 mmHg antes do procedimento para evitar complicações e melhorar o desfecho [1].

  • Após IVT (trombólise intravenosa)

    • A PA deve ser mantida < 180/105 mmHg por pelo menos as primeiras 24 horas após o tratamento com IVT (trombólise) [1].

    • Em pacientes com AVEi de gravidade leve a moderada tratados com IVT, a redução intensiva da PAS (alvo < 140 mmHg comparado a < 180 mmHg) não é recomendada, pois não se associa a melhora do desfecho funcional [1].

  • Após trombectomia mecânica

    • Em pacientes submetidos a EVT, é razoável manter a PA em nível ≤ 180/105 mmHg durante e por 24 horas após o procedimento [1].

    • Em pacientes com AVEi por LVO de circulação anterior recanalizados com sucesso pela terapia endovascular (mTICI 2b, 2c ou 3) e sem outra indicação para meta de manejo pressórico, a redução intensiva da PAS a um alvo < 140 mmHg nas primeiras 72 horas é prejudicial e não é recomendada [1].

Manejo da temperatura

  • Em pacientes com AVEi e hipertermia, atingir normotermia, inclusive com protocolos padronizados iniciados por enfermagem para monitorar e tratar febre, é recomendado para melhorar o desfecho funcional e reduzir a mortalidade [1].

  • Em pacientes com AVEi e hipertermia, fontes de hipertermia (por exemplo, infecção) devem ser identificadas e tratadas para evitar complicações adicionais [1].

  • Em pacientes com AVEi e normotermia, indução de hipotermia terapêutica ou prevenção farmacológica de febre não é recomendada para melhorar o desfecho [1].

Manejo da glicemia

  • Em pacientes com AVEi, a hipoglicemia (glicemia < 60 mg/dL) deve ser tratada para evitar complicações [1].

  • Em pacientes com AVEi, é razoável tratar a hiperglicemia persistente para atingir glicemia entre 140 e 180 mg/dL, com monitorização próxima para prevenir piora do desfecho [1].

  • Em pacientes hospitalizados com AVEi e hiperglicemia, o tratamento com insulina intravenosa para atingir glicemia entre 80 e 130 mg/dL não é recomendado para melhorar o desfecho funcional em 3 meses e associa-se a maior risco de hipoglicemia grave [1].

    • Hipoglicemia (< 50 mg/dL) e hiperglicemia (> 400 mg/dL) graves são tipicamente definidas como tais; a correção da glicemia a níveis normais com medicações apropriadas é recomendada, e os déficits clínicos devem ser reavaliados após a correção glicêmica para definir elegibilidade trombolítica [1].

Alvos numéricos importantes

Abaixo estão organizados alguns alvos numéricos importantes no manejo da fase aguda do AVEi.

Quadro-Resumo: Alvos Numéricos Mais Consultados na Fase Aguda: o quadro reúne os principais parâmetros numéricos monitorados no manejo agudo do AVC isquêmico, com seus alvos terapêuticos e o momento de aplicação. A saturação periférica de oxigênio (SpO₂) deve ser mantida acima de 94% em todos os momentos, com oxigênio suplementar se houver hipoxemia. Antes da trombólise intravenosa (IVT), a pressão arterial deve estar abaixo de 185/110 mmHg (PAS <185 mmHg e PAD <110 mmHg). Antes da trombectomia, em pacientes sem IVT prévia, o alvo é pressão arterial ≤185/110 mmHg. Nas primeiras 24 horas após a IVT, a pressão arterial deve ficar abaixo de 180/105 mmHg, sem reduzir a PAS abaixo de 140 mmHg em AVC isquêmico leve a moderado, já que isso não traz benefício adicional. Durante e nas 24 horas após a trombectomia, o alvo é pressão arterial ≤180/105 mmHg. Após reperfusão completa (mTICI 2b, 2c ou 3), a PAS não deve ser reduzida abaixo de 140 mmHg nas primeiras 72 horas, salvo outra indicação de alvo pressórico, já que isso é considerado prejudicial. A temperatura deve ser mantida em normotermia em todos os momentos, tratando a hipertermia de forma ativa. Quanto à glicemia, sempre se deve tratar hipoglicemia abaixo de 60 mg/dL e, na hiperglicemia persistente, buscar alvo entre 140 e 180 mg/dL, sem usar insulina intravenosa para alvo de 80 a 130 mg/dL. Em relação às janelas terapêuticas: a janela padrão de IVT é de até 4,5 horas do início dos sintomas ou do último normal; a janela estendida de IVT é de 4,5 a 9 horas em casos de penumbra ou AVC ao despertar, ou de 4,5 a 24 horas para oclusão de grande vaso (LVO) sem trombectomia, remetendo à seção "Janelas estendidas"; a janela de trombectomia para circulação anterior é de 0 a 24 horas, conforme o escore ASPECTS, remetendo à tabela de "Critérios de elegibilidade"; e a janela de trombectomia para oclusão basilar é de até 24 horas, remetendo à seção "AVC de circulação posterior".

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

Indicações à trombólise

Critérios centrais de indicação

  • Indicar IVT (trombólise intravenosa) quando as três condições abaixo estiverem presentes ao mesmo tempo:

    • 1) Déficit neurológico agudo incapacitante de causa isquêmica

      • Ver quadro abaixo

      • A decisão não depende do escore NIHSS isolado [1]

    • 2) Dentro da janela terapêutica

      • Padrão: até 4,5 horas do início dos sintomas ou do último momento visto normal [1]

      • Estendida: ver critérios específicos em “Janelas estendidas” na seção "Trombólise intravenosa (IVT)"

    • 3) Sem contraindicação absoluta

      • Ver a seção "Contraindicações à trombólise”

Início

  • Estando presentes as três condições, considerando ainda contraindicações relativas e particularidades de cada caso, a trombólise deve ser indicada o mais rápido possível

    • Não atrasar por neuroimagem multimodal adicional (angio-TC, angio-RM, TC/RM de perfusão) quando não necessária ao diagnóstico [1].

Quando NÃO indicar

  • Déficit leve, não incapacitante, mesmo dentro de 4,5 horas:

    • Não é recomendada, por não ter demonstrado superioridade em relação à dupla antiagregação plaquetária (DAPT) [1]

      • Consulte a seção abaixo "Antiagregação plaquetária"

  • Casos fora da janela terapêutica

    • Padrão: até 4,5 horas do início dos sintomas ou do último momento visto normal [1]

    • Estendida: ver critérios específicos em “Janelas estendidas” na seção "Trombólise intravenosa (IVT)"

  • Presença de contraindicações absolutas, ou relativas a depender de cada caso

    • Ver a seção "Contraindicações à trombólise”

Orientação para Determinar se os Déficits são Claramente Incapacitantes na Apresentação: o quadro orienta a avaliação clínica de pacientes com AVC isquêmico agudo e escore NIHSS entre 0 e 5, respondendo se, caso os déficits observados persistissem, o paciente ainda seria capaz de realizar atividades básicas de vida diária e/ou retornar ao trabalho, quando aplicável. As atividades básicas de vida diária incluem banhar-se/vestir-se, deambular, uso do banheiro, higiene pessoal e alimentação, resumidas no mnemônico em inglês BATHE (Bathing/dressing, Ambulating, Toileting, Hygiene, Eating). Para avaliar completamente o nível de déficits, recomenda-se testar também a capacidade de deambular e de deglutir de forma independente, e essa determinação deve ser feita pelo médico em conjunto com o paciente e os familiares disponíveis. Como diretriz geral, sempre considerando as circunstâncias individuais, o quadro compara dois grupos de déficits. Os que tipicamente seriam considerados claramente incapacitantes incluem: hemianopsia completa (pontuação ≥2 no item "campos visuais" da NIHSS); afasia grave (≥2 no item "linguagem"); hemi-inatenção grave ou extinção em mais de uma modalidade sensorial (≥2 no item "extinção e inatenção"); e qualquer fraqueza que limite o esforço sustentado contra a gravidade (≥2 nos itens "motores"). Já os déficits que podem não ser claramente incapacitantes em um paciente individual incluem: afasia leve isolada, quando o paciente ainda é capaz de se comunicar de forma significativa; desvio facial isolado; fraqueza cortical leve na mão, especialmente na mão não dominante, com escore 0 na NIHSS; perda hemimotora leve; perda hemissensorial; perda hemissensorimotora leve; e hemiataxia leve, quando o paciente ainda é capaz de deambular.

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

Contraindicações à trombólise

Condições Consideradas Contraindicações Absolutas à Trombólise IV: a tabela reúne dez condições em que a trombólise intravenosa não deve ser administrada no AVC isquêmico agudo. TC com hipodensidade extensa contraindica o tratamento quando a neuroimagem mostra regiões extensas de hipodensidade evidente responsáveis pelos sintomas, definida como hipodensidade maior que a densidade da substância branca contralateral não afetada. TC com hemorragia contraindica o tratamento quando há hemorragia intracraniana aguda na TC de crânio. Traumatismo cranioencefálico moderado a grave em até 14 dias é provável contraindicação quando há mais de 30 minutos de inconsciência e Escala de Coma de Glasgow menor que 13, ou evidência de hemorragia, contusão ou fratura de crânio na neuroimagem. Neurocirurgia intracraniana ou espinhal nos últimos 14 dias contraindica o tratamento por potencial de dano. Lesão medular aguda nos últimos 3 meses é provável contraindicação. Neoplasia intracraniana intra-axial contraindica o tratamento por potencial de dano. Sintomas compatíveis com endocardite infecciosa também contraindicam o tratamento. Coagulopatia grave ou trombocitopenia contraindica o tratamento quando plaquetas estão abaixo de 100.000/mm³, RNI acima de 1,7, TTPa acima de 40 segundos ou TP acima de 15 segundos, embora em pacientes sem uso recente de warfarina ou heparina o tratamento possa ser iniciado antes dos resultados da coagulação, sendo interrompido caso os valores se mostrem alterados. Dissecção de arco aórtico conhecida ou suspeita contraindica o tratamento por potencial de dano. Por fim, anormalidades de imagem relacionadas a amiloide (ARIA) contraindicam o tratamento pelo risco desconhecido de hemorragia intracraniana relacionada à trombólise nesses pacientes ou em uso de imunoterapia para amiloide.

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

Condições que são Contraindicações Relativas à Trombólise IV: a tabela reúne dezoito condições em que a decisão de administrar trombólise intravenosa no AVC isquêmico agudo exige avaliação individualizada de risco e benefício. Incapacidade preexistente e/ou fragilidade tornam incerta a relação risco-benefício, exigindo decisão caso a caso. Exposição recente a DOAC (menos de 48 horas) dentro da janela terapêutica para alteplase ou tenecteplase tem segurança desconhecida; dados observacionais ainda limitados sugerem que o tratamento pode ser considerado após análise cuidadosa que leve em conta o horário da última dose do DOAC, a função renal, a gravidade do AVC, a disponibilidade de trombectomia endovascular, a disponibilidade de agentes reversores do DOAC e de ensaios específicos de anti-fator Xa ou tempo de trombina, reconhecendo o possível atraso no tratamento e o risco trombótico aumentado; todos os aspectos desse manejo devem ser registrados cuidadosamente, e ensaios clínicos definitivos ainda são necessários para estabelecer a segurança nesse cenário. AVC isquêmico prévio nos últimos 3 meses pode aumentar o risco de hemorragia intracraniana, devendo o momento e o tamanho do AVC anterior ser ponderados contra o benefício do tratamento de forma individualizada. Histórico de hemorragia intracraniana (HIC) prévia pode aumentar o risco de hemorragia sintomática; pacientes com angiopatia amiloide conhecida podem ser considerados de risco ainda maior do que aqueles com HIC por causas modificáveis, como hipertensão arterial sistêmica (HAS) ou coagulopatia, casos em que o tratamento pode inclusive ter maior benefício que risco, sempre com decisão individualizada. Trauma maior não craniano recente, dentro de 14 dias do AVCi, pode aumentar o risco de dano e de hemorragia sistêmica grave com necessidade de transfusão, recomendando-se avaliação individualizada das áreas envolvidas e consulta com especialistas cirúrgicos. Cirurgia maior não craniana recente, dentro de 10 dias, também pode aumentar o risco de dano pelo tratamento, exigindo avaliação individualizada da área cirúrgica e consulta cirúrgica. Sangramento gastrointestinal (GI) ou geniturinário (GU) recente, dentro de 21 dias, recomenda avaliação individualizada de risco-benefício e consulta com especialistas em GI ou GU para verificar se o sangramento foi tratado e o risco reduzido. A segurança do tratamento é desconhecida tanto na dissecção arterial intracraniana quanto nas malformações vasculares intracranianas não rotas e não tratadas. Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) recente pode aumentar o risco de dano pelo tratamento: para história de IAMCSST nos últimos 3 meses, recomenda-se avaliação individualizada em conjunto com consulta cardiológica de urgência; para IAMCSST muito recente (últimos dias), deve-se considerar o risco de hemopericárdio frente ao benefício potencial; e, quando o IAMCSST agudo ocorre concomitantemente ao AVCi, o tratamento deve ser feito na dose apropriada para isquemia cerebral e também em conjunto com consulta cardiológica de urgência, considerando o momento, o tipo e a gravidade do quadro cardíaco. Pericardite aguda e trombo atrial ou ventricular esquerdo conhecido podem ser tratados de forma razoável em casos individuais de AVCi maior com probabilidade de causar incapacidade grave, sempre com consulta cardiológica de urgência. Malignidade sistêmica ativa tem segurança desconhecida, recomendando-se consulta oncológica de urgência considerando o tipo, o estágio e as complicações ativas do câncer. Gravidez e período pós-parto permitem considerar o tratamento quando o benefício de tratar um AVC moderado a grave supera o risco antecipado de sangramento uterino, com consulta obstétrica de urgência. Punção dural em até 7 dias, incluindo punção lombar, pode ser considerada em casos individuais. Punção arterial de vaso não compressível (por exemplo, cateter em artéria subclávia) em até 7 dias tem segurança desconhecida. Por fim, traumatismo cranioencefálico moderado a grave e neurocirurgia (intracraniana ou espinhal) ocorridos entre 14 dias e 3 meses podem ser considerados de forma individualizada, com consulta à equipe de neurocirurgia e, no caso do trauma, também de cuidados neurointensivos.

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

Condições em que os Benefícios da Trombólise IV Geralmente Superam os Riscos de Sangramento: (mantida — já estava proporcional ao conteúdo) a tabela reúne nove condições em que o benefício da trombólise intravenosa no AVC isquêmico agudo tende a superar o risco de sangramento. Dissecções cervicais extracranianas permitem trombólise razoavelmente segura dentro de 4,5 horas. Neoplasias intracranianas extra-axiais e aneurisma intracraniano não roto apresentam risco de dano provavelmente baixo, com benefício superior. AVC durante procedimento angiográfico também favorece o tratamento. História remota e estável de sangramento gastrointestinal ou geniturinário, e história remota de infarto agudo do miocárdio, não impedem o tratamento após avaliação individualizada. Uso conhecido de drogas recreativas geralmente não altera a indicação. Na incerteza diagnóstica entre AVC e simulador de AVC, na ausência de contraindicações absolutas, o risco do tratamento é baixo. E a doença de Moya-Moya não parece aumentar o risco de hemorragia intracraniana, mantendo o benefício da trombólise.

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026.

Trombólise intravenosa (IVT)

Escolha do agente e posologia

  • Em adultos com AVEi apresentando dentro de 4,5 horas do início dos sintomas ou do último momento visto normal, e elegíveis para IVT, tenecteplase na dose de 0,25 mg/kg de peso corporal (máximo 25 mg) ou alteplase na dose de 0,9 mg/kg de peso corporal (máximo 90 mg) é recomendado para melhorar o desfecho funcional [1].

    • As duas opções têm eficácia e segurança semelhantes em desfechos funcionais e de segurança.

    • A tenecteplase oferece vantagens práticas:

      • Aplicação em bolus único (5 a 10 segundos), contra o bolus seguido de infusão de 60 minutos da alteplase, o que pode simplificar a administração e reduzir potenciais erros de dose e atrasos de tratamento [1].

  • Em adultos com AVEi dentro de 4,5 horas, elegíveis para IVT, tenecteplase na dose de 0,4 mg/kg de peso corporal não é recomendada, por não trazer benefício adicional e por sinal de potencial aumento de risco de HICs em relação à dose de 0,25 mg/kg [1].

Como prescrever? [1]

  • Alteplase (Actilyse®) pó liofilizado para solução injetável 50 mg

    • Dose: 0,9 mg/kg (máximo 90mg)

    • Administração:

      • 10% da dose IV bolus de 1 minuto

      • 90% da dose IV ao longo de 60 minutos

    • Diluição:

      • Diluir para solução 1 mg/mL

      • Exemplo: 2 amp (de 50mg cada) + 100ml de diluente

    • Exemplo 70 kg:

      • Dose total: 63 mg, sendo 6,3 mg em bolus e 56,7 mg em 60 min.

      • Infusão: 6,3 ml IV bolus. Após, infundir 56,7 ml IV BIC em 60 min.

  • Tenecteplase (Metalyse®) pó liofilizado para solução injetável 25 mg

    • Aplicar em bolus IV único

    • Diluir para solução 5 mg/mL (25mg + 5mL)

    • Dose:

      • 0,25 mg/kg de peso corporal (máxima de 25 mg)

      • Por faixa de peso:

        • <60 kg: 15 mg → 3 mL

        • 60 a <70 kg: 17,5 mg → 3,5 mL

        • 70 a <80 kg: 20 mg → 4 mL

        • 80 a <90 kg: 22,5 mg → 4,5 mL

        • ≥90 kg: 25 mg → 5 mL

Janelas estendidas

  • Em pacientes com AVEi que:

    • (a) têm hora de início desconhecida e apresentam lesão em DWI (diffusion-weighted imaging) menor que um terço do território da ACM, sem alteração de sinal marcada na FLAIR, e

    • (b) estão dentro de 4,5 horas do reconhecimento dos sintomas, a IVT administrada dentro dessas 4,5 horas do reconhecimento pode ser benéfica para melhorar o desfecho funcional [1].

  • Em pacientes com AVEi não elegíveis para EVT, mas com penumbra isquêmica salvável detectada em imagem de perfusão automatizada, e que despertam com sintomas de AVE dentro de 9 horas do ponto médio do sono, ou estão entre 4,5 e 9 horas do último momento visto normal, a trombólise pode ser benéfica para melhorar o desfecho funcional [1].

  • Em pacientes com AVEi por LVO com penumbra isquêmica salvável, apresentando entre 4,5 e 24 horas do início dos sintomas ou último momento visto normal, e que não podem receber EVT, o tratamento com IVT conduzido por profissionais com experiência em manejo trombolítico de AVE pode ser benéfico para melhorar o desfecho funcional [1].

Outros fibrinolíticos e sonotrombólise

  • Os agentes abaixo foram estudados como alternativas à alteplase/tenecteplase; nenhum tem indicação estabelecida além das situações listadas.

    • Reteplase IV, em vez de alteplase, pode ser considerada em pacientes elegíveis dentro de 4,5 horas, não candidatos a EVT, para aumentar as chances de desfecho funcional excelente aos 90 dias [1].

    • Mutante da pró-uroquinase IV, em vez de alteplase, pode ser considerado dentro de 4,5 horas, não candidatos a EVT, por menor risco de sangramento com não inferioridade para desfecho funcional excelente [1].

    • Desmoteplase IV não é recomendada dentro de 3 a 9 horas do último momento visto normal, por não melhorar a independência funcional em 90 dias [1].

    • Mutante da pró-uroquinase associado a alteplase em baixa dose não é recomendado dentro de 4,5 horas, por não melhorar o desfecho funcional [1].

    • Uroquinase IV dentro de 6 horas não é benéfica para reduzir morte ou dependência e não é recomendada [1].

    • Estreptoquinase IV dentro de 6 horas não deve ser administrada, por não resultar em melhora do desfecho funcional e associar-se a aumento de mortalidade [1].

    • Sonotrombólise como terapia adjunta à IVT não é recomendada, por não aumentar a taxa de melhora neurológica precoce nem melhorar o desfecho funcional [1].

Circunstâncias específicas

  • Em pacientes adultos elegíveis com AVEi e doença falciforme conhecida, a IVT pode ser benéfica para melhorar o desfecho funcional, sem aumento de HIC sintomática, hemorragia sistêmica ameaçadora à vida ou outras complicações trombolíticas [1].

  • Em adultos com oclusão aguda não arterítica da artéria central da retina (OACR) causando perda visual incapacitante, e de outra forma elegíveis para IVT, a utilidade do tratamento com IVT dentro de 4,5 horas do último momento visto normal é incerta [1].

Complicações da trombólise

Hemorragia intracraniana sintomática nas primeiras 24 horas após alteplase ou tenecteplase

  • Interromper a infusão de alteplase (se ainda em curso) ou de tenecteplase [1]

  • Solicitar de urgência: hemograma completo, TP (INR), TTPa, fibrinogênio e tipagem sanguínea com prova cruzada [1]

  • Obter TC de crânio sem contraste de urgência, se houver dúvida clínica [1]

  • Crioprecipitado (contém fator VIII): 10 unidades infundidas ao longo de 10 a 30 minutos, para manter fibrinogênio ≥ 150 mg/dL; como regra prática, 10 unidades de crioprecipitado elevam o fibrinogênio em quase 50 mg/dL [1]

    • Potencial benefício em todos os pacientes, particularmente se houver contraindicação a crioprecipitado ou este não estiver disponível em tempo hábil [1]

  • Ácido tranexâmico 1.000 mg IV infundido ao longo de 10 minutos, ou ácido épsilon-aminocaproico 4 a 5 g ao longo de 1 hora, seguidos de 1 g IV até controle do sangramento (pico de ação em 3 horas) [1]

  • Considerações

    • Solicitar avaliação de hematologia e neurocirurgia conforme necessário [1]

    • Suporte com manejo de PA, pressão intracraniana (PIC), pressão de perfusão cerebral (PPC), temperatura e glicemia [1]

Angioedema orolingual associado à administração de trombolítico IV

  • Manter via aérea [1]

    • Intubação endotraqueal de emergência pode não ser necessária se o edema estiver limitado à porção anterior da língua e dos lábios [1]

    • Edema envolvendo laringe, palato, assoalho da boca ou orofaringe, com progressão rápida (dentro de 30 minutos), impõe maior risco de necessidade de intubação [1]

    • Intubação fibroótica acordada é a opção ideal; a intubação nasotraqueal pode ser necessária, mas traz risco elevado de epistaxe após trombólise IV; cricotireoidostomia raramente é necessária e também é problemática após IVT [1]

  • Interromper a infusão do trombolítico IV (se ainda em curso) e afastar uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) [1]

  • Metilprednisolona (Solu-Medrol®) pó liofilizado 125 mg

    • 125 mg IV. Individualizar dose.

  • Difenidramina (Difenidrin®) solução injetável 50 mg/mL

    • Administrar 50 mg IV

  • Ranitidina solução injetável 25 mg/mL

    • 50 mg IV

    • Alternativa: Famotidina (10 mg/mL) 20 mg IV

  • Epinefrina 0,1% (concentração 1 mg/mL)

    • Apenas se houver aumento adicional do angioedema após manejo inicial

    • Administrar 0,3 mL por via intramuscular, ou por nebulização (0,5 mg/dL)

  • Icatibanto (Firazyr®) solução injetável 10 mg/mL, seringa preenchida 3 mL

    • Antagonista seletivo do receptor B2 da bradicinina

    • Administrar 3 mL (30 mg) por via subcutânea na região abdominal

    • Dose adicional de 30 mg pode ser administrada em intervalos de 6 horas, até um total de 3 injeções em 24 horas [1]

  • Inibidor de C1 esterase derivado de plasma humano (Berinert®) pó liofilizado 500 UI

    • 20 UI/kg IV

    • Utilizado no angioedema hereditário e no angioedema relacionado a inibidor de ECA

Trombectomia mecânica

Algoritmo para Elegibilidade a Trombectomia Endovascular (EVT) no AVC Isquêmico Agudo: o fluxograma organiza a indicação de EVT em seis colunas sequenciais — População, Oclusão Vascular, Tempo desde o Início, Lesão Tecidual, Função Basal e Evidência para EVT. Em pacientes com idade ≤28 dias, LVO e janela de 0–24h, a evidência é IDD (dados insuficientes para determinar). Em pacientes de 28 dias a 5 anos, com LVO, janela de 0–24h e tecido cerebral salvável, indica-se EVT (Classe 2a... na verdade 2b). Em pacientes de 6–17 anos com LVO: na janela de 0–6h ou 6–24h com tecido cerebral salvável, indica-se EVT (Classe 2a); acima de 24h, o desfecho é IDD. Em pacientes com 18 anos ou mais (considerando NIHSS ≥6, exceto quando especificado), o algoritmo se ramifica por tipo de oclusão. Para LVO na janela de 0–6h, cruzando ASPECTS com mRS: ASPECTS 6-10 com mRS 0-1 indica EVT Classe 1, mRS 2 indica EVT Classe 2a, mRS 3-4 indica EVT Classe 2b, e mRS >4 resulta em IDD; ASPECTS 3-5 com mRS 0-1 indica EVT Classe 1 e mRS ≥2 resulta em IDD; ASPECTS 0-2 com mRS 0-1 indica EVT Classe 2a e mRS ≥2 resulta em IDD. Na janela de 6–24h, ASPECTS 6-10 ou ASPECTS 3-5 com mRS 0-1 indicam EVT Classe 1, e mRS ≥2 resulta em IDD; acima de 24h, IDD diretamente. Para MVO dominante de M2, na janela de 0–6h com ASPECTS 6-10 e mRS 0-1, indica-se EVT Classe 2a; acima de 6h, IDD. Para MVO não dominante de M2 ou DVO, na janela de 0–24h, indica-se Sem EVT (Classe 3, sem benefício). Para oclusão de artéria basilar, na janela de 0–24h com PC ASPECTS ≥6: pacientes com mRS 0-1 são estratificados por gravidade do AVC — NIHSS ≥10 indica EVT Classe 1 e NIHSS 6-9 indica EVT Classe 2b; pacientes com mRS ≥2 resultam em IDD. A legenda identifica as cores usadas para Classe de recomendação 1, 2a, 2b e 3 (sem benefício). Abreviações: ASPECTS, Alberta Stroke Program Early CT Score; DVO, oclusão de vaso distal; EVT, trombectomia endovascular; IDD, dados insuficientes para determinar; LVO, oclusão de grande vaso (de circulação anterior); MVO, oclusão de vaso médio; mRS, escala de Rankin modificada; NIHSS, National Institutes of Health Stroke Scale; PC ASPECTS, ASPECTS de circulação posterior. Nota: em pacientes com escore NIHSS ≥6, exceto quando especificado no gráfico.

Fonte: adaptação de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, 2026 (Figura 3).

Técnicas endovasculares:

  • Técnicas gerais de trombectomia

    • Em pacientes com AVEi por LVO submetidos a EVT, o uso de stent retriever, aspiração por cateter ou técnicas combinadas é recomendado para alcançar reperfusão rápida e adequada [1].

    • Em pacientes submetidos a EVT, a reperfusão a grau TICI estendido 2b/2c/3 é recomendada, o mais precocemente possível dentro da janela terapêutica, para atingir o máximo benefício funcional em 90 dias [1].

    • Em pacientes submetidos a EVT, tanto anestesia geral quanto sedação/procedimento assistido são recomendados para facilitar o procedimento, com desfechos funcionais comparáveis entre as duas modalidades [1].

    • O uso de cateter-balão-guia para melhorar os desfechos durante a EVT permanece incerto, podendo ser considerado [1].

    • Em pacientes com AVEi por oclusão de vasos médios ou distais (artérias cerebrais anteriores, ACM não dominante/codominante M2, M3, ou artérias cerebrais posteriores), a EVT com stent retriever não traz benefício para melhorar o desfecho funcional e não é recomendada [1].

  • Técnicas adjuntas de trombectomia

    • Em pacientes com EVT no contexto de oclusões tandem extra e intracranianas de circulação anterior, o tratamento agudo de ambas as lesões, incluindo stent extracraniano emergente, pode ser razoável para alcançar melhor desfecho funcional, mas a evidência ainda é incerta [1].

    • No contexto de EVT malsucedida, o uso de angioplastia e/ou stent intracraniano de resgate para melhorar o desfecho funcional permanece incerto [1].

    • Em pacientes com AVEi que atingem reperfusão completa ou quase completa (TICI modificado 2b ou maior), a administração de trombolítico intra-arterial adjunto (uroquinase, alteplase ou tenecteplase) pode ser razoável para melhorar a reperfusão cerebral e o desfecho funcional em 90 dias, mas a evidência é incerta [1].

    • Em pacientes com AVEi por LVO, a administração pré-operatória de tirofiban antes da EVT não é útil para melhorar o desfecho funcional em 90 dias e não é recomendada [1].

Concomitância com trombólise

  • Em pacientes com AVEi elegíveis tanto para IVT (trombólise intravenosa) quanto para EVT (trombectomia endovascular), a IVT é segura e recomendada para melhorar a eficácia global da reperfusão e os desfechos clínicos [1].

  • Em pacientes elegíveis para IVT e EVT, a IVT deve ser administrada o mais rapidamente possível, sem observação para avaliar resposta clínica ou atraso para iniciar a EVT, a fim de melhorar tempos de tratamento e desfechos clínicos [1].

    • Atrasar a EVT para observar resposta clínica após IVT ("esperar para ver") não é recomendado; o benefício combinado de IVT + EVT sobre EVT isolada é estatisticamente significativo quando o tempo do início dos sintomas até a administração esperada da IVT é inferior a 2 horas e 20 minutos [1].

Antiagregação plaquetária

Princípios gerais

  • Em pacientes com AVEi, a administração de aspirina é recomendada dentro de 48 horas do início do AVE para reduzir o risco de morte e dependência [1].

  • Em pacientes com AVEi ou AIT não cardioembólico, a antiagregação é indicada preferencialmente à anticoagulação oral para reduzir AVE isquêmico recorrente e outros eventos cardiovasculares, minimizando o risco de sangramento [1].

  • A escolha do agente antiagregante para prevenção secundária precoce deve ser individualizada com base em fatores de risco do paciente, custo, tolerância, eficácia relativa dos agentes e outras características clínicas [1].

  • A dupla antiagregação plaquetária (DAPT) de curta duração (21 a 90 dias), seguida de antiagregação simples (SAPT), reduz o risco de AVE recorrente precoce quando iniciada até 24 a 72 horas do início dos sintomas, conforme o esquema. A continuação da DAPT além de 90 dias não é benéfica e associa-se a maior risco de sangramento [1].

DAPT (Terapia Antiplaquetária Dupla) no AVC Isquêmico Menor ou AIT Não Cardioembólico: o fluxograma organiza a escolha entre terapia antiplaquetária dupla (DAPT) e simples (SAPT) em pacientes com AVC isquêmico agudo não cardioembólico ou AIT. Parte-se da avaliação de elegibilidade para revascularização (Classe de recomendação 1); se sim, segue-se para trombólise e trombectomia mecânica; se não, avalia-se o LKN (último momento em que o paciente foi visto sem sintomas) menor que 24 horas. Se o LKN for maior ou igual a 24 horas, avalia-se aterosclerose com estenose maior que 50%: se ausente, indica-se SAPT; se presente, avalia-se LKN entre 24–72 horas associado a NIHSS ≤5 ou ABCD2 ≥4 — se não, SAPT; se sim, indica-se DAPT com clopidogrel + AAS por 21 dias (Classe 2a, estudo INSPIRES). Se o LKN for menor que 24 horas, avalia-se NIHSS ≤3 associado a ABCD2 ≥4. Se não, avalia-se NIHSS entre 4–5: se não, SAPT; se sim, indica-se DAPT com clopidogrel + AAS por 21 dias (Classe 2a, INSPIRES, para pacientes com aterosclerose presumida) ou, alternativamente, ticagrelor + AAS por 30 dias (Classe 2b, estudo THALES). Se NIHSS ≤3 e ABCD2 ≥4 forem confirmados, o paciente segue diretamente para DAPT com clopidogrel + AAS por 21–90 dias (Classe 1, estudos CHANCE e POINT) ou ticagrelor + AAS por 30 dias (Classe 2b, THALES); paralelamente, pode-se realizar teste de alelos para CYP2C19 (portador de alelo de perda de função): se não for portador, mantém-se o mesmo esquema de clopidogrel ou ticagrelor citado; se for portador, prefere-se DAPT com ticagrelor + AAS por 21 dias (Classe 2b, estudo CHANCE 2). A legenda identifica as cores usadas para Classe de recomendação 1, 2a e 2b. Abreviações: AAS, ácido acetilsalicílico; ABCD2, idade, pressão arterial, quadro clínico, duração dos sintomas e diabetes (escore de risco de AIT); AIT, ataque isquêmico transitório; AVC, acidente vascular cerebral; CHANCE, Clopidogrel in High-risk patients with Acute Nondisabling Cerebrovascular Events; CHANCE 2, Clopidogrel versus Ticagrelor in High-risk Patients with Acute Nondisabling Cerebrovascular Events; DAPT, terapia antiplaquetária dupla; INSPIRES, Innovative Stroke Prevention and Intervention Research Study; LKN, último momento em que o paciente foi visto sem sintomas ("last known normal"); NIHSS, National Institutes of Health Stroke Scale; SAPT, terapia antiplaquetária simples; THALES, Acute Stroke or Transient Ischemic Attack Treated with Ticagrelor and ASA for Prevention of Stroke and Death.

Fonte: adaptação de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, v. 57, p. e316–e436, 2026 (Figura 4).Esquemas de DAPT (terapia antiplaquetária dupla): a tabela reúne cinco ensaios clínicos que avaliaram terapia antiplaquetária dupla no AVC isquêmico agudo e no ataque isquêmico transitório, organizados por critério de inclusão, esquema de fármaco e duração, janela de LKN e número necessário para tratar (NNT). O estudo CHANCE incluiu AVCi com NIHSS ≤3 ou AIT com ABCD ≥4, tratados com clopidogrel em dose de ataque de 300 mg seguida de 75 mg/dia associado a AAS 75 mg por 21 dias, com transição para clopidogrel isolado depois; janela de LKN de 24 horas e NNT de 28. O estudo POINT, com discreto aumento do risco de sangramento, usou os mesmos critérios de inclusão de AVCi e AIT, com clopidogrel em ataque de 600 mg seguido de 75 mg/dia associado a AAS 50–325 mg/dia por 90 dias; janela de LKN de 12 horas e NNT de 67. O estudo THALES, também com discreto aumento do risco de sangramento, incluiu AVCi com NIHSS ≤5 ou AIT com ABCD ≥6, tratados com ticagrelor em ataque de 180 mg seguido de 90 mg duas vezes ao dia associado a AAS em ataque de 300–325 mg seguido de 75–100 mg/dia por 30 dias; janela de LKN de 24 horas e NNT de 91. O estudo CHANCE 2, com discreto aumento do risco de sangramento, restringiu a inclusão a AVCi com NIHSS ≤3 ou AIT com ABCD ≥4 que apresentassem também alelo de perda de função do CYP2C19, tratados com ticagrelor em ataque de 180 mg seguido de 90 mg duas vezes ao dia associado a AAS em ataque de 75–300 mg seguido de 75 mg/dia por 21 dias, com transição para ticagrelor isolado depois; janela de LKN de 24 horas e NNT de 63. O estudo INSPIRES, com discreto aumento do risco de sangramento, incluiu AVCi com NIHSS ≤5 ou AIT com ABCD ≥4 e aterosclerose presumida, tratados com clopidogrel em ataque de 300 mg seguido de 75 mg/dia associado a AAS em ataque de 100–300 mg seguido de 100 mg/dia por 21 dias, com transição para clopidogrel isolado depois; janela de LKN de 72 horas e NNT de 53. Uma nota de rodapé esclarece que o asterisco indica risco discretamente aumentado de sangramento, e a legenda final expande todas as abreviações utilizadas: ABCD (idade, pressão arterial, características clínicas, duração — escore de risco de AIT), AVCi (acidente vascular cerebral isquêmico agudo), AAS (ácido acetilsalicílico), os nomes completos em inglês dos estudos CHANCE, CHANCE 2, INSPIRES, POINT e THALES, DAPT (terapia antiplaquetária dupla), LKN (janela de tempo entre a última vez em que o paciente foi visto normal e o momento avaliado), NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale), NNT (número necessário para tratar) e AIT (ataque isquêmico transitório).

Fonte: adaptado de 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, v. 57, p. e316-e436, 2026.

COMO PRESCREVER?

DAPT (terapia antiplaquetária dupla)

  • Esquema CHANCE [1]

    • Clopidogrel (Plavix®) comprimidos revestidos 75 mg

      • Dose de ataque de 300 mg, seguida de 75 mg/dia, por 21 dias

      • Após continuar com clopidogrel isolado (75 mg/dia)

    • Ácido acetilsalicílico (AAS®) comprimidos 100 mg e 300 mg

      • 75 mg/dia, por 21 dias.

    • Público incluso no estudo que usou esse esquema:

      • NIHSS ≤ 3 ou ABCD² ≥ 4, LKN ≤ 24h [CHANCE] ou ≤ 12h [POINT]

  • Esquema POINT [1]

    • Clopidogrel (Plavix®) comprimidos revestidos 75 mg

      • Dose de ataque de 600 mg, seguida de 75 mg/dia, por 90 dias

    • Ácido acetilsalicílico (AAS®) comprimidos 100 mg e 300 mg

      • 50 a 325 mg/dia, por 90 dias

    • Público incluso no estudo que usou esse esquema:

      • NIHSS ≤ 3 ou ABCD² ≥ 4, LKN ≤ 24h [CHANCE] ou ≤ 12h [POINT]

  • Esquema THALES [1]

    • Ticagrelor (Brilinta®) comprimidos revestidos 90 mg

      • Dose de ataque de 180 mg, seguida de 90 mg 2 vezes ao dia, por 30 dias [1]

    • Ácido acetilsalicílico comprimidos 100 mg e 300 mg

      • Dose de ataque de 300 a 325 mg, seguida de 75 a 100 mg/dia, por 30 dias [1]

    • Público incluso no estudo que usou esse esquema:

      • NIHSS ≤ 5 ou ABCD² ≥ 6, LKN até 24h

  • Esquema CHANCE-2 [1]

    • Ticagrelor comprimidos revestidos 90 mg

      • Dose de ataque de 180 mg, seguida de 90 mg 2 vezes ao dia, por 21 dias, seguidos de ticagrelor isolado [1]

    • Ácido acetilsalicílico comprimidos 100 mg e 300 mg

      • Dose de ataque de 75 a 300 mg, seguida de 75 mg/dia, pelos mesmos 21 dias [1]

    • Público incluso no estudo que usou esse esquema:

      • NIHSS ≤ 3 ou ABCD² ≥ 4, portador de alelo de perda de função do CYP2C19, LKN até 24h

  • Esquema INSPIRES [1]

    • Clopidogrel comprimidos revestidos 75 mg

      • Dose de ataque de 300 mg, seguida de 75 mg/dia, por 21 dias, seguidos de clopidogrel isolado [1]

    • Ácido acetilsalicílico comprimidos 100 mg e 300 mg

      • Dose de ataque de 100 a 300 mg, seguida de 100 mg/dia, pelos mesmos 21 dias [1]

    • Público incluso no estudo que usou esse esquema:

      • NIHSS ≤ 5 ou ABCD² ≥ 4, aterosclerose presumida, LKN até 72h

  • Considerações

    • Escolha entre esquemas: CHANCE, POINT e CHANCE-2 usam o mesmo critério de elegibilidade mais restrito (NIHSS ≤ 3 ou ABCD² ≥ 4); THALES admite critério mais amplo (NIHSS ≤ 5 ou ABCD² ≥ 6, ou estenose sintomática ≥ 50%). Dentro do critério NIHSS ≤ 3/ABCD² ≥ 4, CHANCE-2 (ticagrelor) é a opção preferencial quando há genotipagem disponível e o paciente é portador do alelo de perda de função do CYP2C19, situação em que a resposta ao clopidogrel é reduzida [1].

    • INSPIRES é o único esquema validado para LKN até 72 horas, e exige causa aterosclerótica presumida (estenose ≥ 50%) [1].

    • Todos os esquemas de DAPT acima são limitados a 21 a 90 dias; prolongar a dupla antiagregação além desse período não reduz recorrência e aumenta o risco de sangramento; ao final do período, manter apenas um dos dois agentes (SAPT) [1].

    • Terapia tripla (aspirina + clopidogrel + dipiridamol) não deve ser usada [1].

SAPT (terapia antiplaquetária simples) [1]

  • SAPT inicial, em paciente que não recebeu DAPT (apenas uma das opções abaixo)

    • Ácido acetilsalicílico (AAS®) comprimidos 100 mg e 300 mg

      • 300 mg/dia

      • Iniciar dentro de 48 horas do início do AVE

    • Se contraindicação ao AAS:

      • Ticagrelor (Brilinta®) comprimidos revestidos 90 mg

        • 90 mg 2 vezes ao dia

  • SAPT de continuação, após o período de DAPT (apenas uma das opções abaixo)

    • Clopidogrel (Plavix®) comprimidos revestidos 75 mg

      • 75 mg/dia, continuando os esquemas CHANCE e INSPIRES, OU

    • Ticagrelor (Brilinta®) comprimidos revestidos 90 mg

      • 90 mg 2 vezes ao dia, continuando o esquema CHANCE-2

Antiagregação no contexto de IVT (trombólise intravenosa) / EVT (trombectomia endovascular)

  • Em pacientes elegíveis para IVT ou trombectomia mecânica, aspirina não é recomendada como substituto do tratamento de reperfusão para melhorar o desfecho do paciente [1].

  • Em pacientes elegíveis para IVT, aspirina IV não deve ser administrada concomitantemente ou dentro de 90 minutos do início da IVT, pelo risco de hemorragia [1].

  • Em pacientes tratados com IVT dentro de 3 horas do início dos sintomas, o tratamento adjunto com eptifibatida IV não é recomendado para reduzir a incapacidade em 3 meses [1].

Anticoagulação

  • Em pacientes cuidadosamente selecionados (por exemplo, AVE de gravidade mais leve) com AVEi e fibrilação atrial (FA), uma estratégia de anticoagulação oral precoce pós-AVE é de baixo risco e razoável em comparação a uma estratégia de anticoagulação tardia, embora a eficácia dessa estratégia para prevenção de AVE recorrente precoce não esteja estabelecida [1].

  • Em pacientes com AVEi e estenose ipsilateral de alto grau da artéria carótida interna (ACI), o benefício da anticoagulação urgente não está bem estabelecido [1].

  • Em pacientes com AVEi e trombo intraluminal extracraniano ipsilateral não oclusivo, a segurança e a eficácia da anticoagulação de curta duração não estão bem estabelecidas [1].

  • Em pacientes com AVEi que apresentam transformação hemorrágica (TH), o início ou a continuação da anticoagulação pode ser considerado a depender do cenário clínico específico e da indicação subjacente [1].

  • O uso de argatroban não é efetivo como terapia adjuvante à IVT para melhorar o desfecho funcional a longo prazo e não é recomendado [1].

  • A anticoagulação precoce (dentro de 48 horas do início do AVE) não reduz a probabilidade de piora neurológica precoce nem aumenta a probabilidade de desfecho funcional favorável, e não é recomendada [1].

Terapias não recomendadas na fase aguda

As intervenções abaixo foram avaliadas para o tratamento do AVEi agudo e não demonstraram benefício clínico consistente; nenhuma delas deve ser empregada rotineiramente com essa finalidade.

  • Expansão volêmica e hemodinâmica: hemodiluição, albumina em alta dose ou vasodilatadores químicos (por exemplo, pentoxifilina) não são recomendados para melhorar o desfecho funcional. Contrapulsação externa ou estimulação do gânglio esfenopalatin também não são recomendados para melhorar o desfecho funcional [1].

  • Agentes neuroprotetores: no momento, o uso de tratamentos neuroprotetores farmacológicos ou não farmacológicos não é recomendado para melhorar o desfecho funcional [1].

  • Endarterectomia carotídea, angioplastia carotídea e stent emergenciais (sem trombo intracraniano): em pacientes com AVEi ou status neurológico instável (por exemplo, AVE em evolução) causado por estenose ou oclusão carotídea de alto grau, sem oclusão intracraniana concomitante, a endarterectomia carotídea emergencial (dentro de 48 horas) não traz benefício para melhorar o desfecho funcional e não é recomendada. As recomendações sobre endarterectomia carotídea entre 2 dias e 2 semanas do AVE constam na diretriz de prevenção secundária da AHA/ASA, fora do escopo desta fonte [1].

Manejo intra-hospitalar geral

Unidades de AVE

  • Em pacientes com AVEi de qualquer idade, o tratamento em unidade de cuidado hospitalar organizada, com equipe interdisciplinar especialmente treinada que incorpore protocolos e conjuntos padronizados de ordens de cuidado, é recomendado para reduzir a chance de desfechos ruins e óbito [1].

    • As características centrais de uma unidade de AVE organizada incluem: equipe multidisciplinar (incluindo cuidadores) com reuniões semanais; envolvimento de cuidadores em reabilitação, educação e treinamento; equipe especializada (interesse em AVE e reabilitação); início mais precoce e mais intenso da terapia; e protocolos de investigação/tratamento médico padronizados. Os benefícios são independentes de idade, sexo, gravidade inicial, tipo de AVE ou duração do seguimento, e são mais evidentes em unidades geograficamente colocalizadas [1].

Fluxo de Características de uma Unidade Especializada de Cuidado Hospitalar Organizada: o material descreve as quatro etapas sequenciais que caracterizam uma unidade hospitalar organizada para o cuidado do AVC. Na etapa de Avaliação e Monitorização, destacam-se a avaliação do diagnóstico e mecanismo do AVC por profissional especializado, a avaliação e monitorização contínua por enfermagem com capacitação especializada em AVC, e o planejamento terapêutico conforme o mecanismo do AVC identificado. Na etapa de Manejo Clínico, correspondente aos primeiros cinco dias de internação, preconiza-se a utilização de conjuntos padronizados de prescrições para AVC agudo, o manejo de complicações físicas e clínicas guiado por diretrizes e protocolos de prática clínica, a avaliação precoce para reabilitação com mobilização pela equipe de AVC, e o cuidado por equipe multidisciplinar — incluindo enfermagem e cuidadores — com reuniões semanais. Na etapa de Reabilitação, enfatiza-se a definição precoce de metas e o início da reabilitação por fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, a integração com enfermagem especializada em reabilitação e cuidadores, e o planejamento colaborativo com a equipe clínica interdisciplinar. Por fim, na etapa de Planejamento de Alta, recomenda-se a avaliação precoce das necessidades para a alta, a integração do paciente e dos cuidadores com foco em suporte educacional contínuo, e a coordenação do seguimento pós-alta. Fonte: 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. American Heart Association/American Stroke Association, 2026.

Disfagia

  • Triagem à beira do leito para disfagia antes do início de ingestão de líquidos ou alimentos, para identificar pacientes com risco aumentado de aspiração [1].

  • É razoável que a triagem de disfagia seja realizada por fonoaudiólogos ou outros profissionais de saúde treinados [1].

  • Em pacientes que falharam ou não conseguiram participar da triagem à beira do leito por incapacidade neurológica, é razoável realizar avaliação instrumental da deglutição, incluindo avaliação endoscópica flexível ou videofluoroscopia, para determinar gravidade da disfagia e risco de aspiração [1].

  • Um protocolo de higiene oral pode ser razoável para reduzir o risco de pneumonia [1].

  • Em pacientes não traqueostomizados com AVE e disfagia, o tratamento com estimulação elétrica faríngea (PES) pode ser considerado para melhorar a função de deglutição, conforme avaliado por escalas radiológicas ou instrumentais e escalas clínicas de disfagia [1].

  • Em pacientes com AVE grave que requerem traqueostomia e ventilação mecânica, o tratamento com PES após o desmame do ventilador é razoável para facilitar a prontidão para decanulação, conforme avaliação endoscópica flexível da deglutição [1].

    • A PES é administrada em 3 sessões consecutivas, uma vez ao dia (com um segundo curso opcional), e o cateter de PES pode ser usado como uma sonda nasogástrica para administrar medicações e alimentação por sonda [1].

Nutrição

  • A dieta enteral deve ser iniciada dentro de 7 dias da admissão após o AVE [1].

  • A triagem nutricional é recomendada para direcionar o manejo nutricional precocemente na internação, preferencialmente dentro de 48 horas da admissão, com uma ferramenta de triagem ou avaliação nutricional validada em pacientes com AVE agudo [1].

    • Ferramentas validadas incluem Mini Nutritional Assessment (MNA), Controlling Nutritional Status Score (CONUT), Geriatric Nutritional Risk Index (GNRI) e Malnutritional Universal Screening Tool (MUST) [1].

  • Em pacientes com AVEi e disfagia, é razoável usar sondas nasogástricas inicialmente para alimentação nos primeiros 7 dias, e colocar sondas de gastrostomia percutânea em pacientes com expectativa de dificuldade de deglutição segura mais prolongada (> 2 a 3 semanas) [1].

Profilaxia de trombose venosa profunda (TVP)

  • Em pacientes com mobilidade reduzida sem contraindicações:

    • A compressão pneumática intermitente (CPI), em adição aos cuidados de rotina, é recomendada em vez de apenas cuidados de rotina para reduzir o risco de TVP [1].

    • A heparina subcutânea em dose profilática (heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular) é razoável para reduzir o risco de tromboembolismo venoso [1].

  • Meias de compressão elástica causam dano (ruptura de pele, ulceração, necrose tecidual) e não devem ser usadas para profilaxia de TVP [1].

  • Considerações

    • A CPI é a intervenção com maior grau de recomendação e deve ser usada em todo paciente com mobilidade reduzida sem contraindicação [1].

    • A escolha entre HNF e HBPM não é definida pela diretriz. Ambas são razoáveis, sem superioridade estabelecida de uma sobre a outra [1].

Depressão pós-AVE

  • Em pacientes com AVEi, a administração de um inventário estruturado de depressão é recomendada para rastrear rotineiramente depressão pós-AVE (DPA), embora o momento ideal de rastreio seja incerto [1].

  • Em pacientes diagnosticados com DPA, o tratamento com antidepressivos e/ou intervenções não farmacológicas (psicoterapia, estimulação cerebral não invasiva, acupuntura) é recomendado para melhorar os sintomas depressivos [1].

Outras considerações no manejo intra-hospitalar

  • Para pacientes selecionados com AVEi e seus familiares, o encaminhamento a recursos de cuidados paliativos é razoável, conforme apropriado [1].

  • O uso rotineiro de antibioticoprofilaxia não demonstrou benefício para melhorar o desfecho funcional e não é recomendado [1].

  • A colocação rotineira de cateteres vesicais de demora não deve ser realizada, pelo risco associado de infecção urinária associada a cateter [1].

Reabilitação

  • Em pacientes com AVEi, a avaliação formal, interdisciplinar, e a provisão intra-hospitalar de reabilitação em nível apropriado ao paciente individual são recomendadas para melhorar a recuperação funcional [1].

  • Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) não são efetivos para melhorar a recuperação motora ou o status funcional e não são recomendados rotineiramente com essa finalidade em pacientes sem depressão [1].

  • A mobilização em alta dose e muito precoce (dentro de 24 horas do início do AVE) não é recomendada para melhorar as chances de um desfecho favorável em 3 meses e pode ser prejudicial [1].

Complicações agudas intra-hospitalares

Edema cerebral

  • Recomendações gerais e monitorização:

    • Em pacientes com infarto cerebral ou cerebelar extenso, de alto risco para edema cerebral maligno e herniação, é recomendada discussão precoce com o paciente (se factível) ou familiar/representante sobre opções de cuidado e possíveis desfechos, para orientar decisão compartilhada centrada no paciente, especialmente ao formar o prognóstico e considerar intervenções ou limitações de cuidado [1].

    • Em pacientes com infarto cerebral ou cerebelar extenso, a monitorização neurológica próxima para sinais de piora nos primeiros dias após o AVE é recomendada para avaliar rapidamente a necessidade de intervenções potenciais [1].

      • Em um estudo, quase 70% da deterioração neurológica por edema ocorreu nas primeiras 48 horas do AVE isquêmico, e apenas 6% ocorreu no dia 6 ou depois [1].

    • Em pacientes com infarto cerebral ou cerebelar extenso em alto risco para edema cerebral maligno, é recomendada a transferência precoce para uma instituição com expertise neurocirúrgica e de cuidados intensivos apropriada, para assegurar tratamento em tempo hábil [1].

  • Manejo clínico do edema cerebral:

    • Em pacientes com infarto cerebral ou cerebelar extenso e deterioração neurológica por edema cerebral, o uso de terapia osmótica como ponte para intervenção cirúrgica definitiva é razoável para melhorar o desfecho funcional e reduzir a mortalidade [1].

    • Em pacientes com infarto hemisférico extenso entre 18 e 70 anos, o uso de glibenclamida IV não resulta em desfecho funcional melhorado e não é recomendado [1].

    • Em pacientes com infarto cerebral ou cerebelar extenso e edema cerebral, hipotermia, barbitúricos ou corticosteroides não devem ser administrados para tratar o edema, pela falta de evidência de eficácia e pelo potencial de eventos adversos aumentados [1].

  • Terapia osmótica como ponte para cirurgia no edema cerebral maligno

    • Manitol 20%, solução injetável (frasco-ampola)

      • Dose de ataque: 1,5 a 2,0 g/kg IV, ao longo de 30 a 60 minutos, para efeito máximo imediato [3]

      • Dose de manutenção: 0,25 g/kg IV, não mais frequente que a cada 6 a 8 horas [3]

    • Salina hipertônica (concentração e volume)

      • A dose e administração variam na literatura, recomenda-se adotar protocolo local da instituição.

      • SH 3%: bolus de 5–10 mL/kg seguido de infusão contínua de 0,5–1,5 mL/kg/h com monitorização seriada do sódio sérico. Outras fontes citam doses equiosmolares de 2,5 mL/kg em bolus (infundidas em 5 minutos por cateter venoso central) podendo repetir até 3 doses se a PIC não cair abaixo de 20 mmHg. [5][6]

      • SH 23,4%: bolus padrão de 30 mL para redução emergencial da PIC, geralmente administrado por acesso venoso central. [7][8]

    • Considerações

      • A terapia osmótica é uma ponte para cirurgia, não substituto da craniectomia descompressiva quando esta é indicada (ver "Craniectomia descompressiva: infarto supratentorial" e "Infarto cerebelar") [1].

Infarto supratentorial (craniectomia descompressiva)

  • Em pacientes com infartos territoriais extensos em alto risco de desenvolver edema cerebral e herniação, o declínio do nível de consciência atribuído a edema é um gatilho razoável para seleção de hemicraniectomia descompressiva [1].

  • Em pacientes com idade ≤ 60 anos e infarto unilateral de artéria cerebral média (ACM) que deterioram neurologicamente dentro de 48 horas por edema cerebral apesar de terapia clínica, a craniectomia descompressiva com expansão dural é benéfica para reduzir a mortalidade e melhorar o desfecho funcional [1].

  • Em pacientes com idade > 60 anos e infarto unilateral de ACM que deterioram neurologicamente dentro de 48 horas por edema cerebral apesar de terapia clínica, a craniectomia descompressiva com expansão dural pode ser considerada para reduzir a mortalidade [1].

    • Nesse grupo etário, a craniectomia associa-se a benefício de sobrevida estatisticamente significativo (redução de mortalidade de quase 2 vezes: 76% no grupo não cirúrgico versus 42% no grupo cirúrgico, dentro de 48 horas), mas o desfecho funcional tende a ser pior:

      • Aos 12 meses, incapacidade moderada (mRS 3) foi atingida por 6% do grupo cirúrgico total versus 11% dos sobreviventes cirúrgicos e 5% do grupo clínico total versus 20% dos sobreviventes clínicos;

      • Independência (mRS ≤ 2) não foi atingida por nenhum sobrevivente em nenhum dos dois grupos [1].

  • Em pacientes com AVEi que receberam trombólise IV e desenvolvem edema cerebral maligno apesar de terapia clínica, a craniectomia descompressiva precoce dentro de 48 horas ainda pode ser considerada, sem preocupações adicionais de segurança relacionadas à trombólise prévia [1].

  • Considerações

    • Janela de 48 horas: pacientes operados além de 72 horas apresentaram maiores chances de desfecho ruim na alta, em comparação aos operados dentro de 48 horas [1].

    • Gatilho cirúrgico: diminuição do nível de consciência em relação ao basal tem sido usada como gatilho na maioria dos estudos, embora não haja um gatilho padronizado estabelecido [1].

    • Técnica: ao contrário de craniotomias eletivas, a descompressão para edema cerebral maligno no AVEi é mais benéfica sem fechamento dural justo; fechamento dural aberto com expansão tem se associado a procedimentos mais eficientes, menos complicações e taxas semelhantes de infecção e fístula liquórica [1].

    • Discussão sobre prognóstico e preferências do paciente/família é essencial antes da decisão cirúrgica, particularmente em pacientes > 60 anos, dado o maior risco de sobrevida com incapacidade importante [1].

Infarto cerebelar (manejo cirúrgico)

  • Em pacientes com infarto cerebelar e hidrocefalia obstrutiva, a ventriculostomia é recomendada para melhorar a função neurológica e diminuir a mortalidade; craniectomia descompressiva concomitante ou subsequente pode ou não ser necessária, a depender de fatores como tamanho do infarto, condição neurológica, grau de compressão do tronco encefálico e efetividade do manejo clínico [1].

  • Em pacientes com infarto cerebelar causando deterioração neurológica por compressão do tronco encefálico, ou com volumes de infarto ≥ 35 mL, a craniectomia suboccipital descompressiva com expansão dural deve ser realizada para melhorar os desfechos e diminuir a mortalidade [1].

  • Considerações

    • A ventriculostomia isolada é um primeiro passo razoável no manejo de hidrocefalia obstrutiva por infarto cerebelar; se a derivação liquórica falhar em melhorar a função neurológica, a craniectomia suboccipital descompressiva deve ser realizada [1].

    • Há risco de herniação ascendente com ventriculostomia isolada; esse risco pode ser minimizado com drenagem liquórica conservadora ou descompressão subsequente, se o infarto cerebelar causar edema e efeito de massa significativos [1].

    • Não há definição universal de volume/edema que justifique cirurgia; o limiar de 35 mL usado acima reflete os estudos disponíveis [1].

Convulsões

  • Em pacientes adultos com crise convulsiva não provocada após AVEi, o manejo que inclua medicação antiepiléptica é recomendado, com base em características específicas do paciente, para reduzir o risco de recorrência de crises [1].

    • A metanálise em rede de Misra et al. (2025), envolvendo 13 antiepilépticos em 15 estudos (18.676 pacientes), encontrou que levetiracetam e lamotrigina parecem ser mais seguros e mais bem tolerados que fenitoína e ácido valproico no tratamento de crises pós-AVE, com menor mortalidade associada a levetiracetam e lamotrigina; fenitoína e ácido valproico associaram-se a piores desfechos (maior recorrência de crises, mais eventos adversos e maior mortalidade) [2].

    • Consulte o protocolo Crise convulsiva e estado epiléptico em adultos para mais detalhes.

  • Em pacientes adultos com AVEi, o tratamento profilático com medicação antiepiléptica não é recomendado para prevenir crises convulsivas ou melhorar o desfecho funcional [1].

AVE de circulação posterior

  • Em pacientes com AVEi por oclusão de artéria basilar, mRS basal de 0 a 1, NIHSS ≥ 10 à apresentação e PC-ASPECTS ≥ 6 (dano isquêmico leve), a Trombectomia Endovascular (EVT) dentro de 24 horas do início dos sintomas é recomendada para obter melhor desfecho funcional e reduzir a mortalidade [1].

  • Em pacientes com AVEi por oclusão de artéria basilar, mRS basal de 0 a 1, NIHSS de 6 a 9 à apresentação e PC-ASPECTS ≥ 6, a efetividade da EVT dentro de 24 horas para melhorar o desfecho funcional e reduzir mortalidade não está bem estabelecida [1].

    • Ensaios chineses (BEST, BASICS) mostraram tendência não significativa de benefício da EVT em oclusões basilares agudas; ensaios subsequentes (ATTENTION, BAOCHE) demonstraram benefício significativo e superioridade da EVT sobre o melhor tratamento clínico dentro de 12 e 24 horas do início dos sintomas, respectivamente [1].

Referências

[1] PRABHAKARAN, Shyam; GONZALEZ, Nestor R.; ZACHRISON, Kori S.; ADEOYE, Opeolu; ALEXANDROV, Anne W.; ANSARI, Sameer A.; CHAPMAN, Sherita; CZAP, Alexandra L.; DUMITRASCU, Oana M.; ISHIDA, Koto; JADHAV, Ashutosh P.; JOHNSON, Brenda; JOHNSTON, Karen C.; KHATRI, Pooja; KIMBERLY, W. Taylor; LEE, Vivien H.; LESLIE-MAZWI, Thabele M.; MAC GRORY, Brian; MADSEN, Tracy E.; MENON, Bijoy; MISTRY, Eva A.; PARK, Soojin; PARKER, Stephanie; PÉREZ DE LA OSSA, Natalia; REEVES, Mathew; SAIZ, Tania; SCOTT, Phillip A.; SCHWARTZBERG, Dana; SHETH, Sunil A.; SPORNS, Peter B.; TIMES, Sabrina; TJOUMAKARIS, Stavropoula; WOLFE, Stacey Q.; YAGHI, Shadi. 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke, v. 57, p. e316-e436, 2026. DOI: 10.1161/STR.0000000000000513. Disponível em: https://doi.org/10.1161/STR.0000000000000513. Acesso em: 25 ago. 2026.

[2] MISRA, Shubham; WANG, Selena; QUINN, Terence J.; DAWSON, Jesse; ZELANO, Johan; TANAKA, Tomotaka; GROTTA, James C.; KHAN, Erum; BERIWAL, Nitya; FUNARO, Melissa C.; PERLA, Sravan; DEV, Priya; LARSSON, David; HUSSAIN, Taimoor; LIEBESKIND, David S.; YASUDA, Clarissa Lin; ALTALIB, Hamada Hamid; ZAVERI, Hitten P.; ELSHAHAT, Amr; HITAWALA, Gazala; WANG, Ethan Y.; KITAGAWA, Rachel; PATHAK, Abhishek; SCALZO, Fabien; IHARA, Masafumi; SUNNERHAGEN, Katharina S.; WALTERS, Matthew R.; ZHAO, Yize; JETTE, Nathalie; KASNER, Scott E.; KWAN, Patrick; MISHRA, Nishant K. Antiseizure Medications in Poststroke Seizures: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Neurology, v. 104, n. 3, e210231, 2025. DOI: 10.1212/WNL.0000000000210231. Disponível em: https://www.neurology.org/doi/10.1212/WNL.0000000000210231. Acesso em: 25 ago. 2026.

[3] HOSPITAL SÃO CAMILO. Guia Farmacêutico: Manitol. São Paulo, 2026. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/manitol/. Acesso em: 25 ago. 2026.

[4] BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anvisa suspende a importação de insumo farmacêutico ranitidina. Notícias Anvisa, 2019. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/anvisa-suspende-a-importacao-de-insumo-farmaceutico-ranitidina/219201. Acesso em: 25 ago. 2026.

[5] Common Conditions Requiring Emergency Life Support. Pediatrics in Review. 2019. Fawcett K, Gerber N, Iyer S, et al.

[6] Hypertonic Saline Versus Other Intracranial Pressure-Lowering Agents for People With Acute Traumatic Brain Injury. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2020. Chen H, Song Z, Dennis JA.

[7] Approach to Severe Hemispheric Stroke. Neurology. 2011. Kimberly WT, Sheth KN.Review

[8] High-Osmolarity Saline in Neurocritical Care: Systematic Review and Meta-Analysis. Critical Care Medicine. 2013. Lazaridis C, Neyens R, Bodle J, DeSantis SM.

Autoria e Curadoria

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