Hiperglicemia
Medidas iniciais
Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato
- Aplicar 500 a 1.000 ml, IV em 20 a 40 min
Avaliar estabilidade clínica:
- Se paciente crítico: ir para “Cetoacidose diabética e Estado Hiperosmolar”
Esquema de correção
Utilizar Insulina Regular SC (subcutâneo), de acordo com glicemia
Glicemia:
- 180-250: aplicar 2 UI
- 250-300: aplicar 4 UI
- 300-350: aplicar 6 UI
- 350-400: aplicar 8 UI
- > 400: aplicar 10 UI (reavaliar estado clínico)
prático e seguro!
Ajuste de medicações de uso contínuo
Ir para”Diabetes Mellitus tipo 2”
Avaliar aderência terapêutica
Metformina comp. 500mg ou 850mg ou 1.000mg
- Dose: 500 a 2.550 mg/dia (adultos) e 500 a 2.000 mg/dia (crianças)
- Frequência: 1 a 3 vezes ao dia.
Gliclazida MR (Diamicron MR®) comp. 30mg ou 60mg ou 80mg
- Dose: 30 a 120 mg/dia
- Frequência: 1x/dia
Insulinização
Passo 1: NPH a noite (bedtime)
- Insulina NPH 100UI/ml
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC antes de dormir
- Avaliar glicemia capilar em jejum para ajuste:
- Se > 130 mg/dL: aumentar 2 UI
- Se < 70 mg/dL: reduzir 4 UI ou 10%
- Se 70-130 mg/dL: avaliar HbA1c
- Após atingir meta de glicemia de jejum, avaliar HbA1c:
- Se ≤ 7%: manter terapia
- Se > 7%: ir para passo 2
Passo 2: NPH a noite + NPH manhã
- Insulina NPH 100UI/ml
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC pela manhã ao acordar.
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC ao deitar.
- Avaliar glicemias 2h pós-prandiais (avaliar metas nos tópicos acima):
- Se dentro da meta: manter terapia
- Se acima da meta: ir para passo 3
- Insulina NPH 100UI/ml
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC pela manhã ao acordar.
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC ao deitar.
- Insulina Regular 100UI/ml
- Aplicar 2 a 4 UI SC, 30 min antes da principal refeição.
- Avaliar glicemias 2h pós-prandiais (avaliar metas nos tópicos acima):
- Se dentro da meta: manter terapia
- Se acima da meta: ir para passo 4
Passo 4: NPH a noite + NPH manhã + Regular todas as refeições
- Insulina NPH 100UI/ml
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC pela manhã ao acordar.
- Aplicar 10 UI ou 0,2 UI/kg, SC ao deitar.
- Insulina Regular 100UI/ml
- Aplicar 2 a 4 UI SC, 30 min antes do café, almoço e janta.
- Avaliar glicemias 2h pós-prandiais (avaliar metas nos tópicos acima):
- Se dentro da meta: manter terapia
- Se acima da meta: ir para passo 5
Passo 5: Insulinização plena
- A dose total de insulina geralmente varia em torno de 0,5 a 1,5 UI/kg/dia, dependendo do grau de resistência à insulina e, particularmente, do grau de obesidade.
- Insulina NPH - 0,5 a 1 UI/kg/dia (2/4 manhã + 1/4 almoço + 1/4 noite)
- 70kg: Aplicar 17 UI SC ao acordar, 8 UI após almoço e 8 UI antes de dormir
- Insulina Regular - 4 a 10 UI por refeição
- Ajustar dose conforme necessidade, normalmente entre 4 a 10 UI, SC 30 min antes do café, almoço e janta
Seguimento:
- Orientar seguimento ambulatorial e ajuste de acordo com monitorização residencial da glicemia capilar
- Ajustar 2 a 4 UI, a cada 3 dias (é possível considerar ajustes mais agressivos em pacientes resistentes insulínicos e obesos)
Considerações:
- Avaliar aderência ao tratamento ambulatorial
- Avaliar ajuste de doses de antidiabéticos orais e insulina
- Se paciente for permanecer internado, deve-se suspender antidiabéticos orais e manter/iniciar insulina
obs: condutas conforme "Tratamento do diabetes mellitus tipo 2 no SUS. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023)."
Fluxograma insulinoterapia

Fonte: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. Novembro 2020.
Observações
Avaliar e considerar a hipótese de má aderência ao tratamento ambulatorial.
Se paciente for permanecer internado:
- Suspender antidiabéticos orais e manter/iniciar insulina
Referências
- Ruy Lyra, Fernando Valente, Luciano Albuquerque, Saulo Cavalcanti, Marcos Tambascia, Wellington S. Silva Júnior e Marcello Casaccia Bertoluci. Manejo da Terapia Antidiabética no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025). DOI: 10.29327/5660187.2025-14, ISBN: 978-65-5941-367-6.
- Luciana Bahia, Bianca de Almeida-Pititto, Bertoluci M. Tratamento do diabetes mellitus tipo 2 no SUS. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/5238993.2023-11, ISBN: 978-85-5722-906-8.
- Cobas R, Rodacki M, Giacaglia L, Calliari L, Noronha R, Valerio C, Custódio J, Santos R, Zajdenverg L, Gabbay G, Bertoluci M. Diagnóstico do diabetes e rastreamento do diabetes tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/557753.2022-2, ISBN: 978-85-5722-906-8.
- Pititto B, Dias M, Moura F, Lamounier R, Calliari S, Bertoluci M. Metas no tratamento do diabetes. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/557753.2022-3, ISBN: 978-85-5722-906-8.
- Lyra R, Albuquerque L, Cavalcanti S, Tambascia M, Valente F, Bertoluci M. Tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/557753.2022-10, ISBN: 978-85-5722-906-8.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de ciência, tecnologia, inovação e insumos estratégicos. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2. Novembro 2020.


