Cólica Renal e Ureterolitíase no Adulto
Fluxograma de manejo

Sintomáticos
Consulte mais opções em Manejo da Dor no Adulto
Anti-inflamatórios não hormonais
São a primeira linha, na ausência de contraindicação (Grau A; Nível 1) [1].
Via parenteral:
Cetoprofeno (Profenid®) ampola de 100 mg, pó para solução injetável
100 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV, infundir em 20 minutos [1]
100 mg IM
Dose máxima: 300 mg/dia, o que limita a 3 aplicações
Cetorolaco (Toragesic®) solução injetável de 30 mg/mL
Abaixo de 65 anos: 30 mg (1 ampola) EV em bolus lento; máximo de 90 mg/dia
65 anos ou mais: 15 mg (meia ampola) EV em bolus lento; máximo de 60 mg/dia
Diclofenaco ampola de 75 mg/3 mL
75 mg IM
Dose máxima: 75 mg/dia, o que limita a 1 aplicação
Via oral:
Cetoprofeno (Profenid®) cápsulas de 50 mg, 100 mg ou 150 mg
50 mg VO a cada 6h, ou 100 mg VO a cada 12h [1]
Dose máxima: 300 mg/dia
Cetorolaco (Toragesic®) comprimido sublingual de 10 mg
Ataque: 20 mg SL [1]
Manutenção: 10 mg a cada 4 a 6h, respeitando a dose máxima [1]
Dose máxima VO: 40 mg/dia, o que limita a 4 tomadas [1]
Diclofenaco comprimido de 50 mg
50 mg VO a cada 8h
Dose máxima: 150 mg/dia
Ibuprofeno comprimido de 200 mg, 300 mg, 400 mg ou 600 mg
1 comprimido VO a cada 6h
Dose máxima: 3,2 g/dia
Considerações
Contraindicação absoluta ou relativa a todos os AINH: insuficiência renal, doença péptica grave e gestação; nesses casos, considerar opioides [1]
Usar pelo menor tempo possível, geralmente de 3 a 10 dias
A diretriz também endossa a indometacina na cólica renal, sem trazer posologia [1]
Cetoprofeno:
Contraindicado em hipersensibilidade, úlcera péptica ativa, hemorragia gastrointestinal e 3º trimestre de gestação ou lactação; cautela em idosos, falência renal ou hepática e ICC [1]
Inconsistência da fonte: a Tabela 2 registra a apresentação oral como "Cáps. 500 a 1000 mg", incompatível com a posologia da mesma linha [1]
Cetorolaco:
Contraindicado em hipersensibilidade, úlcera péptica ativa, hemorragia cerebrovascular e 3º trimestre de gestação ou lactação; cautela em idosos, hipertensão e ICC [1]
Efeitos graves: hemorragia gastrointestinal, disfunção renal, anafilaxia, broncoespasmo e agranulocitose [1]
Erro da fonte: a Tabela 2 registra "360 mg IM", incompatível com o teto de 120 mg/dia declarado na mesma linha; a dose IM não é reproduzida aqui [1]
A diretriz declara teto de 120 mg/dia por via EV [1], acima do adotado acima
Inconsistência da fonte na via oral: 10 mg em 4 a 6 tomadas atingem 40 a 60 mg/dia, acima do teto de 40 mg/dia da mesma linha; o teto prevalece [1]
Analgésicos não opioides
Via parenteral:
Dipirona (Novalgina®) ampola de 1 g/2 mL
1 g EV em bolus lento, ou IM, a cada 6h
Dose máxima: 4 g/dia
Dipirona + escopolamina ampola de 2,5 g + 20 mg/5 mL
1 ampola EV em bolus lento a cada 12h
Dose máxima: 3 ampolas/dia
Via oral:
Dipirona (Novalgina®) comprimido de 500 mg ou 1 g
500 mg a 1 g VO a cada 6h
Dose máxima: 4 g/dia
Dipirona + escopolamina comprimido de 250 mg + 10 mg
1 a 2 comprimidos VO a cada 6h
Paracetamol (Tylenol®) comprimido de 500 mg ou 750 mg
500 a 750 mg VO a cada 6h
Dose máxima: 4 g/dia
Considerações
Dipirona:
É a droga não opioide mais usada na cólica renal no Brasil, isolada ou associada à hioscina [1]
Contraindicada em hipersensibilidade; cautela em gestantes e lactantes, doença medular e deficiência de G6PD [1]
Efeitos graves: anafilaxia, hipotensão arterial e agranulocitose [1]
A diretriz não declara dose máxima, e seu regime literal (2 comprimidos 4x/dia) atinge 8 g/dia com comprimidos de 1 g, o dobro do teto adotado acima [1]
Paracetamol:
Contraindicado em hipersensibilidade; cautela na deficiência de G6PD e na doença hepática em atividade [1]
Hepatotoxicidade e alteração de transaminases [1]
Antiespasmódicos
Escopolamina (butilbrometo de escopolamina, Buscopan®) drágeas de 10 mg
1 a 2 drágeas 4x/dia, respeitando a dose máxima [1]
Dose máxima VO: 60 mg/dia [1]
Escopolamina (butilbrometo de escopolamina, Buscopan®) ampola de 20 mg/mL (1 mL)
1 a 2 ampolas (20 a 40 mg) EV, IM ou SC a cada 4 a 6h, respeitando a dose máxima [1][4]
Dose máxima EV: 100 mg/dia [1]
Dose máxima por via IM ou SC: não declarada na diretriz, que especifica o teto apenas para a via EV; conferir em bula [1]
Considerações
Efeito controverso e limitado, mesmo em associação a analgésicos [1]
Contraindicada em glaucoma, megacólon, íleo paralítico, hiperplasia prostática com retenção urinária, lesões estenóticas gastrointestinais, miastenia gravis, taquicardia por ICC e hipersensibilidade [1]
Efeitos anticolinérgicos: xerostomia, borramento visual e retenção urinária; confusão mental e alucinação em idosos e em doses elevadas [1]
Divergência de apresentação: a Tabela 2 registra ampola de 30 mg/mL [1], mas a apresentação disponível no Brasil é de 20 mg/mL, aqui adotada [4]
Inconsistência da fonte: 2 ampolas até 6x/dia excedem o teto de 100 mg/dia, e 2 drágeas 4x/dia atingem 80 mg/dia, acima do teto de 60 mg/dia; os tetos prevalecem e limitam o número de administrações [1]
Opioides
Reservados a quem tem contraindicação a AINH, e com uso minimizado (Grau A; Nível 1) [1].
Morfina (Dimorf®) comprimido de 10 mg
5 a 30 mg VO a cada 4h [1]
Morfina (Dimorf®) ampola de 2 mg/2 mL ou 10 mg/mL
2 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV lento; máximo de 60 mg/dia, ou
Diluir 1 ampola de 10 mg em 9 mL de SF 0,9% e aplicar alíquotas de 2 mL EV conforme a necessidade
IM ou SC (off-label): meia a 1 ampola de 10 mg/mL; máximo de 120 mg/dia
Tramadol (Tramal®) comprimido de 50 mg ou 100 mg
50 a 100 mg VO a cada 12h
Dose máxima: 400 mg/dia
Tramadol (Tramal®) ampola de 50 mg/mL ou 100 mg/2 mL
50 a 100 mg EV ou IM a cada 6h [1]
Diluir 1 mg/mL em SF ou SG, em infusão lenta por 30 a 60 minutos [1]
Por via SC: 50 mg
Dose máxima: 400 mg/dia [1]
Meperidina (Dolantina®) ampola de 50 mg/mL (2 mL)
1 mg/kg IM (preferencialmente) a cada 4h [1]
Ataque: 25 a 50 mg EV, diluir em 10 mL de SF ou SG, lento; ou SC se necessário [1]
Dose máxima: 500 mg/dia [1]
Considerações
Contraindicações da classe, que a diretriz não discrimina por fármaco: hipersensibilidade, obstrução gastrointestinal incluindo íleo paralítico e uso de IMAO nos 14 dias antecedentes; cautela em idosos, depressão respiratória, alcoolismo e insuficiência hepática ou renal [1]
Efeitos da classe que mudam a conduta: depressão respiratória, hipotensão, náuseas e vômitos, constipação, retenção urinária e crise convulsiva [1]
Associar antiemético
Morfina:
Vigiar hipotensão e dessaturação
Erro da fonte: a Tabela 2 registra 1 mg/kg IM ou EV a cada 4h, incompatível com a ampola citada na mesma linha (1 mg/mL com 2 mL contém 2 mg no total) e com risco de depressão respiratória grave; não é reproduzido aqui [1]
A faixa oral não é estratificada por tolerância prévia a opioides [1]
Tramadol:
Menor risco de depressão respiratória que os demais opioides, porém com menor efeito analgésico [1]
Meperidina:
Induz vômitos frequentes, e sua ação pode se prolongar ou ser potencializada na insuficiência renal [1]
Antieméticos
Bromoprida ampola de 10 mg/2 mL
10 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV a cada 8h; máximo de 30 mg/dia
Pode ser aplicada junto à solução de tramadol
Ondansetrona ampola de 4 mg/2 mL ou 8 mg/4 mL
4 mg EV em bolus a cada 8h, ou 8 mg EV em bolus a cada 12h
Dose máxima: 48 mg/dia
Considerações
Indicados na conduta inicial da cólica renal e habitualmente associados ao opioide [1]
Hidratação
A hidratação intravenosa com o único propósito de forçar a passagem do cálculo deve ser evitada (Grau B; Nível 1) [1]
Reidratar apenas se hipovolemia, náuseas e vômitos significativos ou suspeita de lesão renal aguda pré-renal [1]
Terapia expulsiva
Indicada em cálculo ureteral distal de 5 a 10 mm, discutindo vantagens e desvantagens com o paciente em decisão compartilhada (Grau A; Nível 1) [1]. O papel da TEM é controverso, e a passagem forçada de cálculos não é respaldada pela literatura [1].
Probabilidade de eliminação espontânea [1]
Menores que 5 mm: até 80%, chegando a 90% com terapia expulsiva [3]
Maiores que 7 mm: cerca de 25% em ureter proximal, 45% em médio e 70% em distal
Tansulosina (Secotex®) comprimido 0,4 mg
0,4 mg VO 1x/dia
Considerações
Facilita a passagem espontânea de cálculos ureterais, sobretudo distais e menores que 1 cm [1]
Usada também após litotripsia extracorpórea, para acelerar a eliminação de fragmentos [1]
Efeitos colaterais: tontura, hipotensão ortostática (principalmente na primeira dose), distúrbios da ejaculação, cefaleia, rinite [1]
Contraindicações absolutas: hipersensibilidade e uso concomitante com inibidor forte de CYP3A4, como o cetoconazol [1]
Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5, 10 e 15 mEq [1][5]
Dose média pós-litotripsia: 55 mEq/dia [1]
Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]
Disponível também em farmácias de manipulação [1]
Considerações
Usado em alguns protocolos como adjuvante após litotripsia extracorpórea, para acelerar a eliminação de fragmentos [1]
Limitante principal: intolerância gástrica e refluxo gastroesofágico [1]
Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]
Outras opções
São citados alfuzosina, nifedipino, silodosina e mirabegrona, esta com eficácia similar à tansulosina [3]
A desmopressina pode reduzir a dor da cólica renal [3]
Exames de imagem
- Ultrassom de rins e vias urinárias.
- TC helicoidal de rins e via urinárias.
A passagem espontânea é improvável com cálculos ≥10 mm de diâmetro. Os cálculos em ureter proximal também apresentam menor probabilidade de expulsão espontânea, necessitando a avaliação do urologista.
Indicações de internação
Ureterolitíase associado a febre ou sinais de infecção.
Dor refratária.
Ureterolitíase obstrutiva (especialmente se rim único ou transplantado renal).
Insuficiência renal.
Referências
[1] CARVALHO, Mauricio de; MATOS, Ana Cristina Carvalho de; SANTOS, Daniel Rinaldi dos; BARRETO, Daniela Veit; BARRETO, Fellype Carvalho; RODRIGUES, Fernanda Guedes; PIETROBOM, Igor Gouveia; LUZ, Lucas Gobetti da; CONSTANCIO, Natasha Silva; GOMES, Samirah Abreu; HEILBERG, Ita Pfeferman. Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da Nefrolitíase: Sociedade Brasileira de Nefrologia. Brazilian Journal of Nephrology, v. 47, n. 2, e20240189, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-8239-JBN-2024-0189pt.
[2] Diretrizes de litíase urinária da Sociedade Brasileira de Nefrologia. J Bras Nefrol 2002.
[3] Diagnóstico e Tratamento de Litíase Ureteral. J Bras Nefrol 2009.
[4] Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.
[5] Manual do Residente de Clínica Médica. Milton de Arruda Martins, Barueri, SP. Manole, 2015.
[6] Medicina de emergência : revisão rápida / editores Herlon Martins...[et al.]. – Barueri, SP : Manole, 2017.
Autoria e Curadoria
As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.


