Tricomoníase

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Considerações

  • Agente etiológico:

    • Parasita flagelado Trichomonas vaginalis, de transmissão sexual e que tem a capacidade de fagocitar bactérias, fungos e vírus, transportando-os para o trato genital superior.

  • Quadro clínico:

    • Corrimento geralmente profuso, amarelado ou amarelo-esverdeado, acompanhado de ardor genital, sensação de queimação, disúria e dispareunia. 

    • Ao exame ginecológico, geralmente se observa hiperemia dos genitais externos e presença de corrimento exteriorizando-se pela fenda vulvar. 

    • Ao exame especular, verifica-se aumento do conteúdo vaginal de coloração amarelada ou amarelo -esverdeada, podendo ser acompanhado de pequenas bolhas. As paredes vaginais e a ectocérvice apresentam-se hiperemiadas, podendo-se observar “colo uterino com aspecto de morango” (colpitis macularis). 

  • Exames complementares:

    • O pH vaginal encontra-se acima de 4,5

    • Teste das aminas (whiff test) pode ser positivo

    • A bacterioscopia a fresco confirma o diagnóstico: observa-se o parasita com movimentos pendulares (sensibilidade ~60%).

    • A bacterioscopia com coloração pelo Gram também permite a identificação do T. vaginalis imóvel.

    • A cultura (meio de Diamond) é recomendada quando os exames anteriores tiverem sido negativos e permanência dos sintomas.

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Tratamento

 

  • Esquema:
    • Metronidazol OU Tinidazol OU Secnidazol
  • Metronidazol comp. 250mg ou 400mg
    • Tomar 8 cp de 250 mg (2 gramas), dose única, OU
    • Tomar 2 cp de 250 mg (500 mg), de 12/12 horas, por 7 dias.
  • Tinidazol comp. 500mg
    • Tomar 4 cp de 500 mg (2 gramas), dose única, OU
    • Tomar 1 cp de 500mg (500mg), de 12/12 horas, por 5 dias.
  • Secnidazol comp. 500mg ou 1.000mg
    • Tomar 2 cp de 1.000 mg (2 gramas), dose única.
  • Considerações:
    • Ensaios randomizados controlados comparando 2g de metronidazol ou tinidazol sugerem que o tinidazol é equivalente ou mesmo superior ao metronidazol na eliminação do parasita e no alívio dos sintomas. 
    • Recomenda-se nova testagem 3 meses após o tratamento.
    • Abstinência de álcool
      • Recomendações das bulas: abstinência até 24 horas após término do Metronidazol, 72 horas do Tinidazol e 96 horas do Secnidazol.
      • Recomendação CDC 2021: "O metronidazol não inibe a desidrogenase do acetaldeído, como ocorre com o dissulfiram. O etanol por si só, ou efeitos adversos do metronidazol independentes do etanol, podem explicar a suspeita de efeitos semelhantes aos do dissulfiram. Assim, abster-se do uso de álcool durante o tratamento com metronidazol (ou tinidazol) é desnecessário."
    • Referenciar o parceiro  sexual para tratamento de doenças de transmissão sexual.
    • Recomenda-se a pesquisa de outras infecções de transmissão sexual.

Na gestação

  • Esquema:
    • Metronidazol por 7 dias OU Metronidazol dose única
    • Independente do trimestre gestacional.
  • Por 7 dias
    • Metronidazol comp. 250mg ou 400mg
      • Tomar 2 cp de 250 mg (500 mg), a cada 12 horas, por 7 dias (1g por dia), OU
    • Metronidazol comp. 250mg ou 400mg
      • Tomar 1 cp de 250 mg (250 mg), a cada 8 horas, por 7 dias (750mg por dia).
  • Dose única
    • Metronidazol comp. 250mg ou 400mg
      • Tomar 8 cp de 250 mg (2 gramas), dose única.

Referências

  • Protocolos da Atenção Básica : Saúde das Mulheres / Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Brasília : Ministério da Saúde, 2016. 

  • Linhares IM, Amaral RL, Robial R, Eleutério Junior J. Vaginites e vaginoses. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 2018. (Protocolo Febrasgo – Ginecologia, nº 24/Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas).

  • World Health Organization (WHO). Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections. Geneva: World Health Organization; 2021.

Autoria e Curadoria

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