Prostatite bacteriana aguda
CID-10: N41.0
Temas associados:Informações gerais
Quadro clínico:
Sintomas sistêmicos de infecção (febre, mal estar, calafrios, náuseas e/ou vômitos), associado a:
Sintomas urinários (polaciúria, urgência miccional, redução do jato urinário ou retenção), podendo ter outros sintomas como: dor pélvica, dor perineal, dor retal, dor a ejaculação, hematospermia e dor à defecação.
Diagnóstico:
História clínica clínica, exame físico e dosagem laboratorial (leucocitose, PCR e PSA elevado, cultura com microorganismo).
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Critérios de internação
Falência no tratamento por via oral com persistência dos sintomas;
Incapacidade de ingestão por via oral;
Fatores de risco para resistência bacteriana (uso recente de fluorquinolona, procedimento recente com manipulação da próstata);
Sinais de sepse com repercussão sistêmica ou choque séptico.
Antibioticoterapia
A primeira escolha é por via oral com média de 10 a 21 dias, no entanto, pacientes com repercussão sistêmica devem ser tratados inicialmente por via intravenosa e hospitalizados. Caso o paciente permaneça sintomático pode-se estender para 28 dias.
Suspeita de IST (p. ex. corrimento uretral):
Esquema:
Ceftriaxona + Doxiciclina
Ceftriaxona pó inj. 500mg
Aplicar 1 amp (de 1g) + 5ml SF0,9%, IM dose única.
Doxiciclina comp. 100mg
Tomar 1 cp (100mg), de 12/12h, por 10 dias
Prostatite sem fatores de risco para IST:
Esquema:
Cefuroxima OU Sulfametoxazol-trimetoprima OU Levofloxacino OU Ciprofloxacino
Cefuroxima comp. 500mg
Tomar 1 cp de 12/12 horas, por 10 a 21 dias.
Sulfametoxazol-trimetoprima comp. 800+160mg
Tomar 1 cp (800+160) de 12/12h, por 10 a 21 dias.
Levofloxacino comp. 500mg
Tomar 1 cp (750mg) uma vez por dia, por 10 a 21 dias.
Ciprofloxacino comp. 500mg
Tomar 1 cp de 12/12h, por 10 a 21 dias
Com indicações de internação sem fator de multirresistência:
Ceftriaxona pó inj. 500mg ou 1g
Aplicar 1 amp (de 1g) + 40ml SF0,9%, IV em 30 min de 12/12h, por 2 a 3 dias (não usar Ringer).
Após melhora clínica:
Transicionar para antibiótico VO de acordo com antibiograma (esquema citado anteriormente), OU
Manter ceftriaxone 2g IM ou IV ambulatorial até ter antibiograma e após melhora clínica transicionar para ATB VO (esquema da prostatite sem fator de risco de IST).
Sepse ou choque séptico com risco de bactéria multirresistente:
Esquema:
Piperacilina-tazobactam OU Ceftazidima
Piperacilina-tazobactam 4g-0,5g/20ml
Aplicar 1 amp (4g) + 250 ml SF0,9%, IV, de 6/6h, por pelo menos 7 dias;
Ceftazidima pó inj. 1g
Aplicar 2 amp + 100ml SF0,9%, IV em 30 min de 8/8h, por pelo menos 7 dias;
Observação:
Se confirmar resistência manter tratamento IV até completar 14-21 dias;
Caso não confirme resistência após 7 dias de tratamento IV, transicionar para VO guiado pelo antibiograma.
Manipulação transretal ou transuretral ou exposição recente a fluoroquinolona:
Esquema:
Ceftriaxona OU Meropenem
Ceftriaxona pó inj. 500mg ou 1g
Aplicar 1 amp (de 1g) + 40ml SF0,9%, IV em 30 min de 12/12h, por 2 a 3 dias (não usar Ringer) e após melhora clínica transicionar para antibiótico VO de acordo com antibiograma.
Meropenem pó inj 500mg ou 1g
Aplicar 1 amp (de 1g) + 100ml SF0,9% IV, de 8/8h, por 10-14 dias.
Alfa-bloqueadores
Esquema:
Doxazosina OU Tansulosina
Doxazosina comp. 2 ou 4 mg
Tomar 1 cp (de 2 mg) ao deitar, e reavaliar resposta em 2 a 4 semanas.
Se ausência de sintomas de hipotensão postural, ajustar dose para 4 mg/dia (max 8 mg/dia).
Tansulosina comp. 0,4 mg
Tomar 1 cp ao deitar (max 0,8 mg/dia).
Sintomáticos
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Analgésicos simples
Dipirona comp. 500mg ou 1g
Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)
Paracetamol comp. 500mg ou 750mg
Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)
AINEs não-seletivos da COX-2
Ibuprofeno comp. 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg
Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia)
Diclofenaco comp. 50mg
Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia)
Cetoprofeno 50mg ou 100mg ou 150mg
Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia)
Naproxeno comp. 250mg ou 500mg
Tomar 1 cp de 12/12h (max 1 a 1,5g por dia)
Naproxeno comp. revest. 275mg ou 550mg
Tomar 1 cp de 12/12 h (max 1 a 1,5g por dia)
Critérios de alta
Considerar transição de antibioticoterapia para via oral e alta hospitalar se:
- Estabilização clínica.
- Melhora da leucocitose e PCR.
- Cessação da febre e dos sintomas urinários.
Seguimento
- Durante a internação: hemograma, sódio, potássio, ureia, creatinina, PCR e urocultura no final de controle.
- Se homem acima de 50 anos sem outros fatores, deve suspeitar de obstrução infravesical por HPB e um alfa-bloqueador deve ser associado ao tratamento.
Referências
M. Grabe (presidente), T.E.Bjerklund-Johansen, H.Botto, M. Cek, K.G. Naber, R.S. Pickard, P.Tenke, F. Wagenlehner, B. Wult. Diretrizes Sobre Infecções Urológicas. Sociedade Brasileira de Urologia, 2010. http://www.sbu.org.br/pdf/guidelines_EAU/infeccoes-urologicas.pdf
Bruyere F (2010 ) [Acute bacterial prostatitis in adult men]. Prog Urol 20:815-817.
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Bartoletti R, Mondaini N, Pavone C, et al. (2007) Introduction to chronic prostatitis and chronic pelvic pain syndrome (CP/CPPS). Arch Ital Urol Androl 79:55-57.
Kravchick S, Cytron S, Agulansky L, et al. (2004 ) Acute prostatitis in middle-aged men: a prospective study. BJU Int 93:93-96.


