Amigdalite aguda no adulto

CID-10: J03.9
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Classificação

Classificação das faringotonsilites / faringoamigdalites:
  • Amigdalite aguda: dor de garganta, febre, disfagia e adenomegalia cervical. Ao exame apresenta hiperemia de amígdalas com ou sem exsudatos purulentos.
  • Amigdalite crônica: dor de garganta crônica, halitose, eliminação de caseum, edema periamigdaliano e adenopatia cervical persistente.
  • Hiperplasia amigdaliana: roncos, apnéia obstrutiva do sono, disfagia e voz hipernasal. Na presença de quadro agudo associado, pode evoluir com insuficiência respiratória aguda.
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Etiologia

Viral:

  • Epidemiologia: as amigdalites de origem viral correspondem a 75% das faringoamigdalites agudas, principalmente nos primeiros anos de vida e menos frequentes na adolescência.
  • Agentes etiológicos: rinovírus, coronavírus, adenovírus, herpes simples, influenza, parainfluenza, coxsackie e outros.
  • Sinais e sintomas: dor de garganta, disfagia, mialgia, febre baixa, tosse, coriza hialina e espirros.
  • Exame físico: hiperemia e edema da mucosa faríngea e das amígdalas, com presença de exsudato (raramente). Ausência de adenopatia
  • Conduta geral: medidas de suporte, analgésicos e anti-inflamatórios.

Bacteriana:

  • Epidemiologia: correspondem a 20 a 40% dos casos, e afeta comumente crianças a partir dos 3 anos, com pico de incidência entre 5 e 10 anos, mas podendo acometer qualquer idade.
  • Agente etiológico: mais comum é o estreptococo beta-hemolítico do grupo A. 
  • Sinais e sintomas: dor de garganta intensa, disfagia, otalgia reflexa, febre de intensidade variável, que pode ser acompanhada de queda do estado geral.
  • Exame físico: hiperemia, aumento de tonsilas e exsudato purulento, além de adenomegalia em cadeia jugulodigástrica, observada em 60% dos casos. 
  • Exames complementares: leucocitose com desvio à esquerda. 
  • Diagnóstico: basicamente clínico, mas é possível a utilização de métodos diagnósticos para a confirmação da etiologia estreptocócica.
    • A cultura de orofaringe é considerada o padrão ouro (tempo prolongado para resultado: 18 a 48 horas). 
    • Outros testes para detecção do estreptococo, como ELISA, imunoensaios ópticos ou sondas de DNA, apresentam a vantagem do diagnóstico rápido (15 minutos), mas apresentam baixa sensibilidade e alta especificidade (muitos falsos-negativos). 
    • A solicitação da dosagem dos anticorpos antiestreptolisina O, anti-hialuronidase, anti-DNAse e a antiestreptoquinase é de pouca utilidade, pois seus títulos só se elevam 2 ou 3 semanas após a fase aguda.
  • Complicações: febre reumática e glomerulonefrite difusa aguda.
  • Conduta geral: analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides e antibioticoterapia.

Tratamento de suporte

Analgésicos simples

  • Dipirona 500mg ou 1g
    • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia), OU
  • Paracetamol 500mg ou 750mg
    • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)

AINEs não-seletivos da COX-2

  • Ibuprofeno 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg
    • Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia), OU
  • Diclofenaco 50mg
    • Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia), OU
  • Cetoprofeno 50mg ou 100mg ou 150mg
    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia), OU

AINEs seletivos da COX-2

  • Nimesulida 100mg
    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 400mg/dia), OU

  • Celecoxib 100mg ou 200mg
    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 400mg por dia), OU
  • Etoricoxib 60mg ou 90mg
    • Tomar 1 cp uma vez ao dia (max 90mg por dia), OU
  • Etodolaco 300mg ou 400mg ou 500mg
    • Tomar 1 cp (de 300mg) de 8/8h (max 1g por dia)
Corticoides
  • Prednisona 5mg ou 20mg
    • Tomar 1 cp pela manhã, por 3 a 7 dias (max 60mg por dia ou < 1mg/kg).
  • Prednisolona susp oral 3 mg/mL
    • Tomar 10 mL, pela manhã, uma vez ao dia, por 3 a 7 dias (max 20 mL/dia ou 60 mg/dia).

Antibioticoterpia

Primeira linha:

  • Esquema: Penicilina benzatina OU Amoxicilina.
  • Penicilina benzatina sol. inj. 1,2 milhões UI / 4mL
    • ≤ 27 kg: aplicar 600.000 UI IM, dose única.
    • > 27 kg: aplicar 1.200.000 UI IM, dose única.

Alternativas:

  • Esquema: Azitromicina OU Clindamicina.
  • Azitromicina comp. 500mg
    • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, por 5 dias.
  • Clindamicina comp. 300mg
    • Tomar 1 cp (300mg) de 6/6h, por 7 a 10 dias.

Referências

  • Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORLCCF). Guideline IVAS: Infecções das Vias Aéreas Superiores, 2023.
  • Tratado de Otorrinolaringologia.eds Campos CAH; Costa HOO. São Paulo: Roca, 2003 vol 2.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Antimicrobianos na Prática Clínica Pediátrica Guia Prático para Manejo no Ambulatório, na Emergência e na Enfermaria. 2003.

Autoria e Curadoria

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